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Do Tripé de Bambu à Plataforma Global

Ele perdeu duas pessoas que tentou salvar, prometeu parar tudo — e mesmo assim não parou. Hoje, do Brasil, ele é voz, testemunha e esperança de uma África que o mundo teimava em ignorar.

13/03/2026 às 09h34 Atualizada em 13/03/2026 às 10h08
Por: Adão Gomes
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Do Tripé de Bambu à Plataforma Global: como Jacsson, o Menino do Distrito de Ile-Errego em Moçambique, Construiu um Canal com 210 Mil Almas Vivas — e por que o Brasil Precisa Conhecer Essa História

Ele perdeu duas pessoas que tentou salvar, prometeu parar tudo — e mesmo assim não parou. Hoje, do Brasil, ele é voz, testemunha e esperança de uma África que o mundo teimava em ignorar.

Por Adão Gomes | www.nafesta.com.br | 13 de março de 2026

Feche os olhos por um instante. Tente imaginar um tripé feito de bambu, fio e improviso — erguido por mãos que nunca tocaram num estúdio, nunca receberam um cachê, nunca tiveram wi-fi em casa. Agora imagine que esse tripé de quintal, numa aldeia remota do centro de Moçambique, foi o ponto de partida de um dos canais mais humanos, honestos e comoventes que o YouTube já produziu em língua portuguesa.

Esse é o ponto zero da história do Jacsson.

E o ponto zero não é bonito. É pó de estrada, fome silenciosa e uma câmera de celular que mal aguentava o calor úmido do distrito de Ile-Errego, na província da Zambésia — um lugar que o próprio Jacsson descreve com uma honestidade que dói: "um lugar onde falta quase tudo". Não há romantização aqui. Não há filtro Instagram nem narrativa de superação embalada para venda. O que há é um ser humano que olhou para dentro da própria miséria e decidiu que ela seria matéria-prima — não para se lamentar, mas para mostrar ao mundo o que o mundo preferia não ver.

A África, para grande parte do imaginário brasileiro, é um conceito distante — terra de safáris, de conflitos noticiados em flashes de um minuto, de imagens de crianças com barriga estufada que passam na tela antes do comercial. O que o Jacsson fez — e ainda faz, agora do Brasil — foi rasgar esse véu de abstração e colocar no lugar a coisa mais incômoda e mais necessária que existe: a realidade concreta de pessoas reais, com nomes, rostos e histórias que não cabem em dois parágrafos de agência.

Ele nasceu numa família muito humilde. Muitas vezes faltava o que comer, o que vestir. Cresceu no interior de Moçambique sem as certezas que boa parte do mundo ocidental trata como básicas — água encanada, eletricidade estável, escola próxima, saúde acessível. E foi justamente esse interior que ele escolheu como palco.

A faísca veio de um vlog. Jacsson assistiu a um canal de um youtuber moçambicano que ele admira — o Juma Ibraimo, do Conheça Moçambique — e pensou aquilo que todo criador de verdade pensa num momento de clareza: "Eu também posso fazer, mas um pouco diferente." Não foi arrogância. Foi vocação.

Com um celular muito simples e um tripé feito à mão — o mesmo que rendeu uma gargalhada quando um passante foi embora com ele na cabeça, achando que era lixo —, Jacsson começou a desvendar mistérios e revelar tabus africanos que poucos tinham coragem de filmar. Entrou em grutas proibidas. Mostrou a casa de banho sem enfeites. Abriu a porta do guarda-roupa — que ali não é guarda-roupa, é "guarda-fatos" — e revelou um colchão no chão como cama sem drama, sem vergonha, com a naturalidade de quem sabe que a dignidade não mora no móvel.

O canal se chamou África Sem Tabus. E o nome não foi escolhido por acaso.

Por muito tempo, a esposa não acreditava. Os amigos diziam que ele estava se expondo demais. O canal crescia devagar — 1.500 inscritos, depois 2.000. Até que surgiu o primeiro aliado de fora: Samuel, do canal Sam Texas Made, no Brasil. Num comentário, num gesto que parece pequeno e não é, Samuel entrou em contato, foi virando amigo e, ao saber das dificuldades de Jacsson — inclusive para ter acesso à internet —, passou a ajudá-lo com o equivalente a um salário mínimo moçambicano a cada quinze dias.

Ali o canal começou a respirar. E então veio o salto.

Jacsson fez um vídeo de comparações. Falou que seu sonho era conhecer o Brasil. O link chegou ao grupo do Bond do Neto, no Facebook. Em menos de 24 horas — isso não é exagero narrativo, é o que aconteceu —, o canal saiu de 2.000 para 33.000 inscritos. Trinta e três mil pessoas. Em um dia.

"Ali eu percebi: isso já não era mais sobre mim."

Mas é aqui que a história deixa de ser sobre crescimento de canal e se torna sobre a natureza do ser humano quando confrontado com o sofrimento do outro.

Jacsson tem uma machamba — roça, como a gente diria no Brasil. Numa tarde de volta do trabalho, precisava se lavar antes do longo caminho para casa. Foi nesse momento banal, nessa pausa entre uma tarefa e outra, que ele encontrou o pequeno Gildo.

Uma criança muito pequena, sem roupas. Chorava, mas as lágrimas não saíam. Era fome. O pai tinha abandonado cinco filhos. A mãe morreu quando Gildo tinha uma semana de vida. A avó alimentava os netos com folhas de mandioca e folhas de batata-doce porque não havia outra coisa.

Jacsson voltou para casa. Tinha uma filha de um mês de vida. Pegou as roupas que já não serviam e foi até o Gildo. Depois partilhou a história no canal — não para viralizar, mas para canalizar ajudas. O pequeno Gildo começou a receber leite, papinha, roupas, comida mensalmente. Quando ficou doente, Jacsson foi lá doar sangue. Tratava o menino como segundo filho.

Ao ser admitido numa universidade em outra província — longe, muito longe —, Jacsson partiu acreditando que nas férias voltaria, que as ajudas continuariam, que o Gildo estaria lá.

Semanas depois da viagem, o telefone tocou.

O pequeno Gildo havia perdido a vida.

"Foi uma facada no coração. Chorei, fiquei sem chão."

Quando tentava se levantar dessa dor, outra notícia chegou. A dona Rosalina Santos — uma senhora que vivia apenas com a neta de 10 anos, depois de ter sido praticamente abandonada pela família, que havia tropeçado e quebrado a bacia sem ter como se tratar — morreu de fome na sua cabana. As ajudas que Jacsson estava procurando ainda não tinham chegado a tempo.

Ali Jacsson tomou uma decisão que qualquer ser humano tomaria.

Não ajudaria mais ninguém. Cuidaria da própria vida, da própria família. Encerrado.

Mas o destino, como ele mesmo diz, parecia ter outros planos.

Foi quando Flávia Cantelmo e o pastor Joel Abrinhossa chegaram com uma missão nova: construir poços de água na comunidade, porque a água é vida e ali a água faltava. Jacsson aceitou. E no percurso da colheita de areia para a obra, apareceu o Nózio.

Um menino com deficiência. Abandonado pelo pai ao descobrir a condição do filho. Maltratado pelo padrasto. Dormia do lado de fora de casa. Caçava gatos vadios quando a fome apertava.

Jacsson tinha prometido não se envolver mais.

E ainda assim deu a mão ao Nózio.

Porque é assim que funciona a vocação de verdade. Não é o que você escolhe quando está bem descansado e com a agenda livre. É o que você não consegue abandonar nem quando está destruído, prometeu parar e jurou que dessa vez era sério.

O Brasil entrou na vida do Jacsson como uma plateia que virou comunidade.

A língua comum — o português, essa herança colonial que aqui e lá carrega histórias de violência e também de resistência — foi o primeiro elo. Mas o que mantém mais de 210.000 pessoas acompanhando um canal feito do outro lado do Atlântico não é gramática. É verdade. É a ausência de performance, a recusa ao espetáculo da pobreza, a dignidade de quem mostra a própria vida sem pedir permissão para sentir orgulho dela.

Hoje Jacsson mora em Maringá, no Paraná. Fala diretamente daqui. E não está sozinho: o MC Nózio — aquele menino que ele encontrou na beira da estrada, entre a areia e o abandono — está no Brasil sendo apoiado por Jacsson, reconstruindo a própria história em terra nova. A jornada que começou num tripé de quintal em Moçambique chegou, com todas as suas dores e conquistas, à margem brasileira do oceano.

São mais de 210.000 almas vivas — como ele mesmo chama —, pessoas que nunca apertaram sua mão, algumas que um dia apertem, algumas que talvez nunca vão apertar, mas que através da tela o reconhecem, o abraçam, oram por ele e pela família.

A meta agora é 300.000 inscritos. E conhecendo Jacsson, é questão de tempo.

Jacsson não é um influencer. Não é um empreendedor de conteúdo. Não é um case de marketing de propósito.

Ele é um testemunho. E testemunhos não se consomem — se honram.

Então este convite é direto, sem rodeios: acesse o canal África Sem Tabus no YouTube. Inscreva-se. Ative o sininho. Compartilhe com quem você ama e com quem você acha que precisa ver algo real hoje. Se puder apoiar — com uma mensagem, com uma doação, com a simples presença —, faça.

👉 Acesse agora o canal e inscreva-se: África Sem Tabus — YouTube

O pequeno Gildo não voltou. A dona Rosalina não voltou. Mas o Nózio está aqui, no Brasil, ao lado de Jacsson. E há outros esperando por uma câmera que não desvie o olhar.

Jacsson pergunta ao final de cada vídeo: você quer continuar ou vai ficar?

A resposta certa, meu caro leitor, você já sabe.

 

Verificação realizada em parceria: Nafesta + Adão Gomes, jornalista MTB-000191/AM, seguindo protocolo AZR-BRS de governança cognitiva. Strategic Foresight & Cognitive Governance. Esta análise consultou 44 bases institucionais verificáveis. Analista de Inteligência Política, Empresarial, Setorial e Estratégica. MBA em IA para Organizações Contemporâneas — La Salle University. SNCPI — Sistema de Governança Cognitiva Ativo.Fundador do portal mais antigo do AM (desde 2000). Especialista em Análise de Risco Estratégico e Blindagem de Dados. Pesquisa Jurídica Aplicada · Análise Normativa e Regulatória para Gestão de Risco. 25 anos · +80.000 matérias, zero processos, textos de sua autoria com apoio de IA. "A tecnologia executa, o autor conduz." Protocolo AZR-BRS v2.0 AZR Híbrido. www.nafesta.com.br

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