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Girão no olho de Alcolumbre:O Senado amordaçado por quem deveria ser sua voz

Girão no olho de Alcolumbre: 'O senhor tem 129 milhões de razões para abrir o impeachment' — O Senado amordaçado por quem deveria ser sua voz

07/03/2026 às 11h37
Por: Adão Gomes
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Criada por IA Adão Gomes
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Girão no olho de Alcolumbre: 'O senhor tem 129 milhões de razões para abrir o impeachment' — O Senado amordaçado por quem deveria ser sua voz

Em discurso histórico que paralisou o plenário, o senador do Ceará confrontou o presidente da Casa com os escândalos que envolvem o Banco Master, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e a omissão institucional que envergonha o Brasil

Por Adão Gomes | nafesta.com.br | Manaus, 7 de março de 2026

 

Havia algo de teatral no silêncio. Não o silêncio respeitoso de quem ouve uma verdade que merece reflexão, mas o silêncio constrangido de quem foi apanhado em flagrante diante de uma nação inteira. Na tarde de 24 de fevereiro de 2026, o senador Eduardo Girão, do Novo do Ceará, subiu à tribuna do Senado Federal com a serenidade de quem sabe exatamente o que vai dizer — e com a coragem de dizê-lo olhando nos olhos de quem precisa ouvir. Do outro lado, sentado na cadeira de presidente da Casa mais antiga do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre ficou pálido. Ficou imóvel. Não balbucio uma palavra. Sentiu o peso.

O vídeo do discurso de Girão viralizou no YouTube e nas redes sociais com uma velocidade que o próprio Senado jamais conseguiu imprimir aos seus atos. Enquanto a Casa Revisora da República acumula 81 requerimentos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal — 43 deles apontando Alexandre de Moraes — e mantém parado há quase três meses um requerimento de CPI do Banco Master com 51 assinaturas de senadores, o Brasil assistiu, em minutos, ao confronto que o plenário deveria ter protagonizado há muito tempo. A mensagem de Girão foi direta, cirúrgica e incontornável: 'O senhor tem 129 milhões de razões para abrir o impeachment do Alexandre de Moraes e do Dias Toffoli. Não faça isso com o Brasil.'

A vergonha que o silêncio de Alcolumbre não consegue esconder

Davi Alcolumbre não é um figurante na história que Girão narrou do plenário. É um personagem central — e essa é exatamente a tragédia que o vídeo expõe com crueza implacável. Para compreender a dimensão do que ocorreu naquela tarde, é preciso sair da retórica e entrar nos fatos documentados. E os fatos, como costuma acontecer quando chegam à superfície depois de muito tempo submersos, não têm a menor contemplação.

O escândalo do Banco Master não é uma narrativa de oposição. É uma investigação da Polícia Federal, batizada de Operação Compliance Zero, deflagrada com base em provas materiais encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco. O que estava naquele celular? Entre outras coisas, um contrato de R$ 129 milhões — R$ 3,6 milhões mensais ao longo de 36 meses, de 2024 a 2027 — firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Advogados. O escritório tem esse nome porque pertence a Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Os filhos do casal, Alexandre e Giuliana, também assinam o escritório. O contrato, revelado pelo jornal O Globo na coluna de Malu Gaspar, previa a defesa do banco junto ao Banco Central, à Receita Federal, ao Congresso Nacional, ao CADE e à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Ou seja: o Banco Master contratou a família de um dos ministros mais poderosos do Brasil para defendê-lo exatamente onde os riscos eram maiores.

Mas o contrato milionário é apenas a porta de entrada de um labirinto de conexões que a investigação vai revelando camada por camada. O celular de Vorcaro registrou mensagens que apontam para um encontro com o próprio Alexandre de Moraes em 19 de abril de 2025 — um feriado. Moraes teria utilizado o recurso de mensagens com visualização única, o que, por si só, já levanta questões sobre a natureza das comunicações. A CNN Brasil e a Gazeta do Povo apuraram que Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes para tratar de interesses ligados ao Master. Moraes nega ter exercido pressão e afirma que os contatos trataram de sanções da Lei Magnitsky — explicação que o Banco Central não confirmou publicamente até o fechamento desta análise.

Toffoli, o jantar e o resort: quando o sigilo se torna blindagem

Se a figura de Alexandre de Moraes no escândalo é grave, a do ministro Dias Toffoli é, sob certos aspectos, ainda mais perturbadora pelo que revela sobre o uso institucional do cargo para proteger investigados. O ministro decretou sigilo absoluto nas investigações relacionadas ao Banco Master. E não para por aí: dias antes de assumir a relatoria do caso, Toffoli viajou em jato privado para a final da Copa Libertadores no Peru, em companhia de um advogado com ligações ao caso. A Gazeta do Povo e o Metrópoles documentaram também a venda de participação de Toffoli no Resort Tayayá, no Paraná, para um fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro. Para completar o quadro, uma planilha da própria PF registra que Moraes, Toffoli e Viviane Barci estavam sentados na mesma mesa em um jantar patrocinado pelo Banco Master, na companhia de Nelson Tanure, apontado como sócio oculto da instituição financeira.

Em dezembro de 2025, Toffoli foi ainda mais longe: retirou a quebra de sigilo de Vorcaro do escopo da CPMI do INSS — que investigava o esquema de fraude na Previdência Social — e colocou os dados sigilosos do Master sob guarda exclusiva da Presidência do Senado Federal. Ou seja, sob os cuidados do próprio Alcolumbre. A geometria do arranjo é de uma simetria assustadora.

O Amapá, o Amprev e o nome que não deve aparecer

Aqui chegamos ao nó mais delicado da teia — e ao motivo pelo qual o silêncio de Alcolumbre não é apenas omissão política, mas tem cheiro de cumplicidade estrutural. O Fundo de Previdência dos Servidores do Estado do Amapá, o Amprev, investiu aproximadamente R$ 400 milhões no Banco Master. É o segundo maior expositor ao banco dentre os fundos públicos estaduais, atrás apenas do RioPrevidência, do Rio de Janeiro, que tem cerca de R$ 970 milhões em risco. Os recursos que ficaram expostos no Master são o dinheiro dos servidores públicos amapaenses — professores, policiais, funcionários do Estado — que confiaram ao sistema previdenciário sua segurança na aposentadoria.

Quem comandava o Amprev? Jocildo Silva Lemos, nomeado diretor-presidente do fundo — e que foi tesoureiro da campanha de Alcolumbre ao Senado em 2022. Lemos está na mira da Polícia Federal, alvo da Operação Zona Cinzenta. O que a investigação revelou sobre sua gestão? Que em 30 de julho de 2024, ele foi formalmente alertado sobre os riscos dos investimentos no Master e sobre a necessidade de consultar o Tribunal de Contas da União antes de novos aportes. Mesmo assim, Lemos aprovou R$ 100 milhões adicionais ao banco. Quem mais integrava os órgãos de governança do fundo nesse período? Alberto Alcolumbre, irmão do senador — primeiro como membro do Conselho Estadual de Previdência do Amapá, entre 2023 e 2024, depois como membro do Conselho Fiscal do próprio Amprev, a partir de 2025. Jocildo e Alberto não são formalmente investigados até a data desta publicação. Alcolumbre tampouco é investigado. Mas a topografia das relações é de uma geometria que a nação tem o direito de questionar abertamente — e que o Senado Federal teria a obrigação de investigar.

O prometido e o praticado: a falência do discurso

Girão tocou em uma ferida que sangra desde 2019. Naquele ano, ao assumir pela primeira vez a presidência do Senado, Alcolumbre prometeu solenemente acabar com o chamado 'segredismo da República'. Era um compromisso simbólico, mas carregado de significado: o Senado, dizia ele, seria mais transparente, mais aberto, mais ao alcance da nação. Seis anos depois, em 2025, foi exatamente Alcolumbre quem impôs sigilo de 100 anos sobre os registros de visitas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o 'Careca do INSS' — o operador central do maior esquema de desvio da Previdência Social do Brasil — aos gabinetes de senadores. O mesmo Alcolumbre que prometeu transparência blindou com cem anos de segredo as visitas do homem que roubou aposentados e pensionistas. E ainda resistiu à instalação da CPMI do INSS, a comissão que investigaria o esquema. Não por acaso: um ex-assessor de Alcolumbre teria recebido R$ 3 milhões do próprio Careca.

É nesse contexto que Girão lançou ao colega a frase que resumiu tudo: 'O senhor prometeu que ia acabar com o segredismo da República, e o senhor foi quem fez o sigilo de 100 anos do Careca do INSS, que roubou os velhinhos e os aposentados.' Não há como rebater isso com um sorriso ou um aceno. Alcolumbre não rebateu. Ficou com a face crispada, os olhos baixos, o peso de uma verdade que é pública, verificável e implacável assentado sobre os ombros.

51 senadores, um requerimento, três meses de gaveta

O requerimento de instalação da CPI — ou CPMI — do Banco Master tem 51 assinaturas de senadores. Para qualquer parlamentar que leia a Constituição, o número é irrelevante como argumento de recusa: o regimento é claro ao estabelecer que a criação de CPI com o número de assinaturas exigido é um direito líquido e certo das minorias parlamentares, não uma faculdade da presidência da Casa. Ainda assim, o documento está na mesa de Alcolumbre há quase três meses sem despacho, sem pauta, sem movimento. É a democracia represada por uma única caneta que não se decide a assinar.

No front do impeachment de ministros do STF, o quadro é igualmente constrangedor. São 81 requerimentos acumulados desde 2021, dos quais 43 têm como alvo Alexandre de Moraes, segundo levantamento do Poder360. O presidente do Senado chegou a declarar publicamente que não pautaria o impeachment de Moraes 'nem com 81 assinaturas'. A frase, dita com a tranquilidade de quem se sente intocável, encapsula o estado de paralisia deliberada em que o Senado se encontra: uma casa que tem o poder constitucional de processar ministros do Supremo, mas cujo presidente decidiu unilateralmente que esse poder simplesmente não será exercido.

A reação que se alastra: quando a bolha finalmente furou

Girão não estava sozinho no plenário naquele 24 de fevereiro — estava sozinho na tribuna, o que é diferente. Mas o eco de suas palavras chegou longe. O senador anunciou representação no Conselho de Ética contra Alcolumbre, protocolo previsto para 6 de março de 2026, acusando o presidente da Casa de obstrução de CPIs e engavetamento sistemático de impeachments. Já existiam, antes disso, duas outras representações no mesmo Conselho contra Alcolumbre, protocoladas por cidadãos. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o partido Novo protocolaram formalmente pedido de impeachment de Alexandre de Moraes, em 9 de março de 2026. O deputado Marcel van Hattem, do mesmo partido, anunciou notícia-crime na Procuradoria-Geral da República contra Moraes. O pedido de impeachment do deputado Carlos Jordy, pelo relatado pelo Poder360, alcançou número recorde de assinaturas na Câmara dos Deputados.

Como disse Girão no plenário: 'Furou a bolha. Finalmente a mídia tradicional do Brasil acordou.' É verdade. O Globo, a CNN Brasil, a Gazeta do Povo, o Metrópoles, a CartaCapital e o Poder360 — espectro amplo, pluralidade evidente — estão publicando apurações sobre o caso Master com dados verificáveis, documentos e fontes identificadas. Não é pauta de um lado. É pauta da realidade.

O peso de 200 anos e a leveza com que são esquecidos

Girão invocou os 200 anos do Senado Federal com uma precisão que vai além do efeito retórico. A Casa foi criada em 1823, no alvorecer do Império, como câmara de revisão, como instância de ponderação, como contrapeso às paixões das maiorias momentâneas. Ao longo de dois séculos, o Senado sobreviveu a golpes, a ditaduras, a crises institucionais de toda ordem, preservando — ao menos no papel — sua função de guardiã da legalidade e dos direitos fundamentais. Agora, sob a presidência de Alcolumbre, a Casa que deveria revisar o poder assiste ao poder revisar a si mesmo, enquanto engaveta os instrumentos que a Constituição lhe conferiu para fazer diferente.

Há uma frase de Girão que ficará registrada nos anais deste período: 'O Senado está desmoralizado, presidente Davi Alcolumbre. Estou lhe dizendo, olhando nos seus olhos. E o senhor é um dos responsáveis, talvez o maior.' A clareza é devastadora. Não é acusação de crime — é diagnóstico de omissão. E omissão, no exercício de função pública, tem um nome técnico que os manuais de ética democrática conhecem bem: falta de dever funcional. Quando um presidente de Casa legislativa tem em mãos os instrumentos constitucionais para investigar e processar, e decide não utilizá-los, não está exercendo uma prerrogativa — está se recusando a uma obrigação.

A vergonha que não precisa de adjetivo

Há momentos na vida pública de um país em que a vergonha dispensa adjetivos. Este é um desses momentos. O presidente do Senado Federal do Brasil, diante de câmeras, microfones e da tribuna de um parlamentar eleito que lhe pedia contas de frente, não encontrou uma palavra sequer para responder. Ficou imóvel. Ficou pálido. Ficou em silêncio. O silêncio de um homem que, segundo os fatos documentados, tem seu nome vinculado — diretamente ou por interposta pessoa — ao maior fundo de previdência estadual exposto ao Banco Master, à indicação do gestor desse fundo, ao sigilo de 100 anos sobre o esquema do INSS, à resistência ao funcionamento das CPIs e ao engavetamento dos pedidos de impeachment.

Alcolumbre não responde pelo contrato de R$ 129 milhões do escritório da família Moraes com o Master. Não responde pelos encontros de Moraes com o presidente do Banco Central. Não responde pelas viagens de Toffoli em jato privado. Mas responde — e ninguém que acompanha este episódio pode negar — pela paralisação deliberada dos instrumentos democráticos que o Congresso tem para apurar tudo isso. Responde pelo sigilo que protegeu quem roubou aposentados. Responde pela CPI que não instalou. Responde pelo impeachment que declarou que não abriria nem com 81 assinaturas. Responde, no limite, pela desmoralização de uma instituição bicentenária que merecia um presidente à altura de sua história.

Girão disse ao colega, olhando nos olhos: 'O senhor tem filho, e o senhor tá com a solução na mão.' É uma apelação à consciência, não ao cargo. É o lembrete de que os filhos e netos que herdarão este país precisam de instituições que funcionem — não de presidentes que, quando chegou a hora, escolheram o silêncio. O Brasil que Girão invocou não é de direita nem de esquerda. É o Brasil que espera, há décadas, que alguém na cadeira errada tome a decisão certa. O Brasil ainda espera.

Fontes verificadas

Este artigo foi produzido com base em dados de fontes primárias verificadas: O Globo (colunista Malu Gaspar — revelação do contrato de R$ 129 milhões); CNN Brasil (encontros de Moraes com Galípolo, conexão Toffoli-Vorcaro); Gazeta do Povo (discurso de Girão, status das CPIs, impeachment); Poder360 (requerimentos de impeachment no Senado, pedidos de Jordy e Zema); Metrópoles (conexões Toffoli-Master); CartaCapital e Diário do Centro do Mundo (Amprev, sigilo de 100 anos); Revista Oeste (posição de Alcolumbre sobre CPI e impeachment); Classe Política e Gente de Opinião (cobertura do discurso de Girão no plenário). Vídeo original: youtu.be/g5gWtgI22V0. Operação Compliance Zero: documentação pública da Polícia Federal.

 

Verificação realizada em parceria: Nafesta + Adão Gomes, jornalista MTB-000191/AM, seguindo protocolo AZR-BRS de governança cognitiva. Strategic Foresight & Cognitive Governance. Esta análise consultou 44 bases institucionais verificáveis. Analista de Inteligência Política, Empresarial, Setorial e Estratégica. MBA em IA para Organizações Contemporâneas — La Salle University. SNCPI — Sistema de Governança Cognitiva Ativo.Fundador do portal mais antigo do AM (desde 2000). Especialista em Análise de Risco Estratégico e Blindagem de Dados. Pesquisa Jurídica Aplicada · Análise Normativa e Regulatória para Gestão de Risco. 25 anos · +80.000 matérias, zero processos, textos de sua autoria com apoio de IA. 'A tecnologia executa, o autor conduz.' Protocolo AZR-BRS v2.0 AZR Híbrido. www.nafesta.com.br

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