
Depois das Folias do Látex: Cotidiano, Cultura e Resistência das Mulheres Trabalhadoras Subalternizadas em Manaus (Década de 1920)
Após o auge da borracha e o declínio da Belle Époque amazônica, mulheres deliberadamente apagadas — lavadeiras, domésticas, costureiras, indígenas, negras — sustentaram com suas mãos a sobrevivência de uma cidade inteira. Uma investigação de sete anos restituiu a elas o protagonismo que o poder sistematicamente lhes negou.
Adão Gomes — Jornalista Profissional (MTB-AM 000191). Analista de inteligência política, econômica e estratégica. MBA em Inteligência Artificial para Organizações Contemporâneas — La Salle. Pós-graduando em Direito Empresarial — UniAnchieta/SP.
Pesquisa de base: Betsy Bell — Jornalista e Historiadora. Manaus, Amazonas, Brasil. Dedicação de mais de sete anos ao resgate da memória das mulheres trabalhadoras subalternizadas na Amazônia.
Era madrugada no igarapé. Antes do sol, antes do calor úmido que engole Manaus ao meio-dia, as lavadeiras já estavam de joelhos nas pedras — mãos vermelhas d'água, costas curvadas, olhos no rio barrento. Ninguém as registrou. Ninguém escreveu seus nomes. A história oficial de Manaus guardou o Teatro Amazonas, os barões do látex, os bondes importados da Europa. Guardou o brilho. Jogou fora as mãos que sustentaram o brilho.
Foi preciso uma mulher da Amazônia — Betsy Bell, jornalista cultural, filha da cultura viva do Boi Garantido, mulher que conhece a Amazônia por dentro e não de longe — decidir que esse silêncio havia durado tempo demais. Há sete anos, ela mergulhou nos arquivos empoeirados das universidades, nas margens esquecidas dos documentos oficiais, nas entrelinhas de relatórios que nunca foram escritos para registrar a dor das pobres. O que encontrou foi um exército sistematicamente apagado. Lavadeiras. Cozinheiras. Costureiras. Domésticas. Indígenas. Negras. Mães sozinhas no mundo. Deliberadamente esquecidas. Esta é a investigação que ela tornou possível.
Ficaram lavando roupa nos igarapés que cortam a cidade como artérias esquecidas. Ficaram cozinhando nas casas da elite, curvadas sobre fogões a lenha, alimentando famílias que não as reconheciam pelo nome. Ficaram costurando, de madrugada, os vestidos que nunca vestiriam. Ficaram carregando tabuleiros de frutas e peixe pelos becos do centro histórico, enfrentando o calor úmido da floresta e a hostilidade de uma cidade que estava aprendendo a ser pobre depois de ter sido rica. E ficaram, acima de tudo, invisíveis — como sempre haviam sido, mesmo quando a borracha jorrava riqueza pelos poros da Amazônia.
Esta investigação, sustentada por mais de sete anos de pesquisa histórica dedicada conduzida pela jornalista e historiadora Betsy Bell, e apoiada por pesquisa documental em 43 domínios institucionais distintos — entre repositórios universitários, portais governamentais, periódicos científicos e acervos de memória regional —, restituiu a essas mulheres o protagonismo que a historiografia oficial sistematicamente lhes negou. Elas não são coadjuvantes da história de Manaus. Elas são a história de Manaus. A que ficou debaixo do tapete de seda da Belle Époque.
Para compreender o que aconteceu com as mulheres trabalhadoras de Manaus no pós-borracha, é preciso entender primeiro que a Manaus da Belle Époque foi, em sua essência, uma ficção arquitetônica. Uma cidade construída para parecer o que não era — e para esconder o que era. A historiadora Edinea Mascarenhas Dias, em seu estudo pioneiro A ilusão do fausto: Manaus, 1890-1920 (Editora Valer, 1999), demonstrou com precisão cirúrgica que a "Paris dos Trópicos" foi planejada e erguida para atender a uma demanda do capital internacional, não para servir à maioria de sua população.
O que o capital internacional queria era borracha. O que a elite local queria era legitimidade europeia. E o que a cidade construiu para satisfazer essas duas demandas foi uma cenografia: o Teatro Amazonas inaugurado em 1896 com óperas italianas a preços inacessíveis para 90% da população; o Mercado Adolpho Lisboa projetado com inspiração nas estações metálicas do engenheiro Gustave Eiffel, inaugurado em 1883; a iluminação pública elétrica, os bondes sobre trilhos, a arquitetura de estuque e ferro fundido que transformou o centro da cidade em um pastiche tropical da Haussmann parisiense.
"Em 1890, em pleno apogeu da exploração da goma, de cada 10 moradores de Manaus, 8 eram analfabetos", registra a pesquisadora Aldrin Figueiredo, ao resenhar o trabalho de Edinea Dias para a Revista Brasileira de História. "Passadas duas décadas, o fosso entre ricos e pobres aumentou ainda mais, constituindo-se um espaço privilegiado para as reformas sanitárias e para a segregação da cidade eleita." O que o poeta Mário de Andrade percebeu, ao visitar Manaus em 1927, era que os adornos artificiosamente colocados sobre a cidade durante os anos áureos já pareciam "legenda de um tempo remoto" — enquanto a cidade real, a cidade que sempre existiu abaixo da cúpula do teatro e das platibandas importadas, seguia sua vida dura, invisível e imprescindível.
Essa modernidade excludente não alcançava todos da mesma forma — e jamais havia se proposto a fazê-lo. O Código de Posturas do Município de 1910 chegou ao ponto de interditar a cobertura de habitações populares com palha, classificando-as como insalubres e inestéticas, resultado da vontade política de eliminar qualquer vestígio da cultura ribeirinha e indígena do espaço urbano pretensamente civilizado. Milhares de operários foram deslocados compulsoriamente para arrabaldes suburbanos sem infraestrutura sanitária, longe dos olhos da elite que precisava de sua mão de obra mas preferia não enxergar sua existência.
A crise da borracha chegou de forma inexorável. O processo foi lento o suficiente para ser agônico e rápido o suficiente para ser catastrófico. Após décadas de monopólio amazônico do látex, a concorrência das plantações britânicas na Malásia e no Ceilão — cultivadas a partir de sementes contrabandeadas da Amazônia em 1876 pelo naturalista Henry Wickham — foi aos poucos esvaziando os preços internacionais. Em 1910, a tonelada de borracha valia cerca de três libras esterlinas. Em 1920, havia despencado para menos de um terço desse valor. Em 1932, o colapso era total.
Para a elite dos barões da borracha — os seringalistas, os aviadores, os importadores de luxo —, o colapso significou o fim das grandes festas, das viagens à Europa, das contas abertas nos armazéns do centro. Muitos simplesmente partiram, levando seus capitais e seus hábitos de consumo para outras cidades, outros países, outros mundos. Mas para a população trabalhadora de Manaus, o colapso teve um significado diferente e muito mais brutal: o fim do emprego precário que ao menos garantia a sobrevivência cotidiana.
"A depressão econômica que se arrastou pela década de 1920 revelou que o fausto artificial e a pretendida 'Paris dos Trópicos' funcionaram como engrenagens de exclusão social que ruíram no momento em que os capitais internacionais abandonaram a região", como sintetiza a pesquisa do DeepSeek que fundamenta esta reportagem, tendo consultado 69 fontes documentais. Mas o que os livros de história quase sempre omitem é a pergunta mais relevante de todas: o que aconteceu com as mulheres que foram sistematicamente apagadas da memória daquela cidade? Com as lavadeiras, as cozinheiras, as costureiras, as domésticas, as ambulantes? O colapso dos barões foi o colapso delas também — mas sem a opção de partir.
A professora Maria Luiza Ugarte Pinheiro — doutora em História pela PUC-SP e docente do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas —, em seu artigo "Mulheres em cena: mundos do trabalho e associativismo feminino em Manaus (1900-1920)", publicado na Revista Projeto História (PUC-SP, v. 74, mai./ago. 2022), oferece o quadro mais completo da presença feminina no mercado de trabalho manauara desse período. "Na Manaus da Belle Époque as mulheres foram também vendedoras nas lojas de artigos de luxo — em especial naquelas destinadas ao consumo feminino — ou modistas nas confecções femininas que tentavam acompanhar (ou recriar) a última moda ditada por Paris", documenta Pinheiro.
Mas eram os setores mais precarizados os que absorviam a maior parte da força de trabalho feminina. As lavadeiras, cozinheiras, arrumadeiras e passadeiras foram contratadas não só por particulares, mas também pelos proprietários de bares, restaurantes, pensões e hotéis da cidade, em franca expansão com o ciclo econômico da borracha. Quando esse ciclo terminou, essas mulheres não foram dispensadas da necessidade de trabalhar — foram dispensadas da proteção mínima que a demanda aquecida oferecia. Sobraram nos igarapés, nas cozinhas e nas ruas de uma cidade em ruínas que ainda precisava de suas mãos, mas não mais se dispunha a pagar por elas.
A pesquisa histórica aqui consolidada identificou pelo menos nove categorias sociais distintas de mulheres trabalhadoras deliberadamente apagadas da memória oficial na Manaus pós-borracha da década de 1920: lavadeiras, cozinheiras, costureiras, domésticas, ambulantes, mulheres indígenas, mulheres negras, mães solteiras e trabalhadoras sexuais. Cada uma dessas categorias merece análise específica — porque cada uma delas carrega, em sua experiência particular, uma camada diferente da estrutura de opressão que organizava (e ainda organiza) a cidade.
Imagine o igarapé do Educandos ao amanhecer, em 1923. A água barrenta do afluente do Rio Negro reflete os primeiros raios de sol que cortam a copa fechada das árvores. Já há mulheres ali — as lavadeiras —, ajoelhadas nas pedras da margem, com os braços mergulhados até os cotovelos na correnteza, esfregando roupas com saponáceo artesanal e pedras de lavagem. Elas chegaram antes do sol porque o trabalho é longo e o calor amazônico não perdoa quem chega tarde. Trabalharão até o meio-dia, quando o calor úmido se tornar insuportável, e voltarão à tarde para enxaguar e estender.
A pesquisa de Joana de Moraes Monteleone, publicada na Revista Estudos Feministas (v. 27, n. 1, 2019) sob o título "Costureiras, mucamas, lavadeiras e vendedoras: o trabalho feminino no século XIX e o cuidado com as roupas (Rio de Janeiro, 1850-1920)", documenta que "além das costureiras, as lavadeiras tomavam conta das roupas das famílias abastadas, muitas vezes acumulando funções de costura e limpeza. Era um trabalho pesado, que ocupava muitas trabalhadoras em muitos dias da semana". Embora focada no Rio de Janeiro, a dinâmica era análoga em Manaus — com a diferença de que os igarapés da Amazônia ofereciam riscos adicionais: doenças tropicais como malária, esquistossomose, leptospirose, além da constante ameaça de enchentes sazonais que podiam destruir em horas o trabalho de semanas.
"O Serviço Sanitário funcionava na prática como um braço de exclusão social e policiamento das classes populares", registra a pesquisa documental desta investigação, com base em fontes encontradas na Revista Científica da Universidade Estadual do Ceará (revistas.uece.br). "Sob o pretexto de higienizar a cidade e eliminar focos de doenças, agentes estatais perseguiam as habitações operárias, confiscavam tabuleiros de quitandeiras e proibiam a lavagem de roupas nos igarapés". A ironia é brutal: as mesmas autoridades que dependiam das lavadeiras para manter seus lençóis limpos e seus paletós engomados eram as mesmas que mandavam fiscais para impedir que essas mulheres trabalhassem.
A figura de Maria Moreira Gomes, conhecida como "Tia Maria Portuguesa", sintetiza essa trajetória com rara nitidez. Nascida no final do século XIX, ela atuou como lavadeira, cortou lenha para abastecer as usinas de bondes da cidade e dedicou décadas de sua vida como vendedora de hortaliças no Mercado Adolpho Lisboa. O Portal Amazônia registrou sua história em 2021, tornando-a um dos poucos exemplos de nome e rosto restituídos a esse universo de anônimas. Atrás de cada saco de mandioca vendido no mercado, atrás de cada peça de roupa lavada no igarapé, havia uma mulher com nome, história, corpo e dor — que a historiografia preferiu não registrar.
Se os salões da Belle Époque manauara eram palcos de refinamento gastronômico — com receitas europeias adaptadas aos ingredientes amazônicos, cardápios impressos em francês, talheres de prata —, quem cozinhava atrás das portas dos fundos das mansões do centro eram mulheres pobres, negras na maioria, cujos nomes raramente aparecem em qualquer registro histórico. A cozinha era o território feminino por excelência da hierarquia social da época — um território de subordinação absoluta disfarçado de vocação natural.
A pesquisa da ANPUH (Associação Nacional de História) documentada por Maria Luiza Ugarte Pinheiro demonstra que as cozinheiras "tendiam a ser contratadas não só por particulares, mas também pelos proprietários de bares, restaurantes, pensões e hotéis da cidade". O crescimento do setor de hospitalidade durante o boom da borracha criou demanda por trabalho feminino doméstico especializado — e quando o boom terminou, essas mulheres se viram com suas habilidades depreciadas numa economia encolhida, sem alternativas formais de emprego.
A jornada das cozinheiras era extenuante: acordavam antes das cinco da manhã para acender o fogão a lenha, preparar o café dos patrões e iniciar o longo processo de cozimento dos feijões e arroz que alimentariam a família durante o dia. Trabalhavam sem horário fixo de saída, dormiam em quartinhos nos fundos das casas ou em dependências adjacentes, recebiam salários que raramente cobriam suas necessidades básicas, e carregavam o estigma social de ocuparem uma posição de servidão numa época em que o trabalho doméstico era socialmente percebido como extensão natural da condição feminina pobre.
"O luxo servido à mesa vinha do trabalho invisível de mulheres pobres", sintetiza o framework desta investigação. E esse trabalho invisível não era apenas culinário — era uma forma sofisticada de exploração que se autolegitimava através de narrativas de proteção e favor. "Você é da família", diziam as patroas. E a cozinheira, sem opções, sorria e voltava ao fogão.
Há uma fotografia hipotética, mas perfeitamente plausível, que resume a contradição central deste capítulo: uma mulher elegante da elite manauara, fotografada em estúdio por volta de 1918, vestindo um belo casaco de seda com bordados delicados. O casaco foi criado por uma modista francesa instalada no centro da cidade. Mas foi costurado, às custas de uma jornada de doze horas diárias, por uma costureira cabocla que nunca o experimentou no próprio corpo.
"As modistas da Belle Époque: destaques ofuscados durante o ciclo da borracha", matéria publicada pelo Portal Amazônia em 2021, documenta o papel das costureiras e modistas na construção da identidade visual da elite manauara. O artigo evidencia uma divisão social precisa: no topo da hierarquia, as modistas — geralmente de origem europeia ou com acesso às publicações de moda parisienses — detinham o conhecimento do design e o prestígio social. Na base, as costureiras domésticas e aprendizes executavam as peças com suas mãos habilidosas e invisíveis.
"A confecção real das peças dependia de um exército de costureiras domésticas e aprendizes invisibilizadas", registra a pesquisa consolidada desta investigação. "Ao pensar através desse cenário, fica claro que a reprodução da estética europeia em Manaus só foi viável através da exploração silenciosa de jornadas exaustivas e mal remuneradas de mulheres pobres, cuja subsistência operava nos limites da informalidade." As greves das operárias da Fábrica de Roupas Amazonense, ocorridas entre 1912 e 1913 e documentadas por Pinheiro na Revista Projeto História, demonstram que essas mulheres não eram passivas: quando puderam se organizar, resistiram. A questão é que raramente puderam.
A professora Pinheiro também registra a greve das operárias da Fábrica de Roupas Amazonense de 1913, em que as trabalhadoras receberam do jornal O Tempo, de Manaus, a cobertura que traduzia bem a ideologia da época: a empresa seria também uma "lutadora" pelas trabalhadoras, dando-lhes "pão e trabalho" — enquanto cortava os salários e aumentava as jornadas. "Não será surpresa, portanto, que, dentre as primeiras manifestações da organização operária e do movimento operário no Amazonas, as mulheres tomem parte de tais manifestações, protestando, a seu modo, contra as precárias condições de vida e trabalho", escreve Pinheiro.
O termo "doméstica" no Manaus de 1920 carregava um peso específico que o tempo e a legislação trabalhista posterior ajudaram a amenizar, mas não eliminaram. Era uma categoria que absorvia mulheres negras no pós-abolição amazônico, mulheres indígenas deslocadas de seus territórios, mulheres caboclas sem alternativas no mercado formal. Absorvia-as numa relação de poder que reproduzia, com verniz republicano, as hierarquias da casa-grande escravocrata.
A pesquisa da ANPUH intitulada "De escravas a empregadas domésticas — A dimensão social e o 'lugar' das mulheres negras no pós-abolição" (Bergman, disponível em anpuh.org.br) documenta a continuidade estrutural entre escravidão e trabalho doméstico precarizado no contexto do pós-abolição brasileiro. No Amazonas, essa continuidade tinha características específicas: a abolição formal de 1888 não havia desmantelado os sistemas de servidão indígena que vigoravam nos seringais e nas casas urbanas, e as mulheres negras que chegavam à cidade em busca de trabalho encontravam um mercado que as queria apenas em posições de submissão.
"A disserta ção 'Trabalho doméstico e servidão: trajetórias, gênero e identidade de mulheres indígenas em Manaus/AM'", encontrada no Dialnet (dialnet.unirioja.es) e produzida no âmbito dos programas de pós-graduação da UFAM, é um dos raros documentos que tratam diretamente das condições das domésticas indígenas na capital amazonense. As jornadas longas, a ausência de dias de folga, a exigência de moradia no emprego (que funcionava como controle social), o pagamento em espécie (roupa, comida) em vez de dinheiro — todos esses mecanismos mantinham as domésticas em condição de dependência absoluta que tornava qualquer tentativa de resistência individual quase impossível.
O Mercado Adolpho Lisboa, inaugurado em 1883 e hoje patrimônio histórico nacional, é frequentemente descrito como um dos pontos turísticos mais charmosos de Manaus. O que os guias turísticos raramente mencionam é que sua vitalidade cotidiana, especialmente nas décadas de 1910 e 1920, dependia fundamentalmente do trabalho de mulheres ambulantes — vendedoras de peixe, frutas, castanhas, ervas medicinais, farinha, hortaliças — que chegavam antes do amanhecer para montar seus tabuleiros e ficavam até o fim da tarde para garantir o sustento de suas famílias.
A pesquisa do 33.º Simpósio Nacional de História, encontrada no repositório da UFAM (tede.ufam.edu.br), dedicou estudo específico ao cotidiano e à cultura de mulheres, indígenas e menores trabalhadores em Manaus após o auge da economia da borracha (1920-1930). O estudo documentou que as ambulantes constituíam uma das mais importantes articulações do abastecimento urbano num período em que a infraestrutura formal de comércio havia sido duramente afetada pela crise econômica. Sem elas, grandes setores da população urbana pobre teriam ficado sem acesso a alimentos básicos.
Mas a condição de ambulante era ao mesmo tempo essencial e criminalizada. O mesmo aparato sanitário que perseguia as lavadeiras nos igarapés confiscava os tabuleiros das quitandeiras quando julgava que estavam "perturbando a ordem" ou "ameaçando a higiene" do espaço público. A documentação histórica revela uma relação perversa: as autoridades municipais dependiam do trabalho informal feminino para o funcionamento da cidade, mas utilizavam-no como alvo preferencial de suas políticas de disciplinamento do espaço urbano.
Se as mulheres trabalhadoras em geral foram as grandes ausentes da historiografia oficial de Manaus, as mulheres indígenas foram deliberadamente esquecidas dentro do esquecimento — um apagamento sistemático dentro de outro apagamento. A Manaus da Belle Époque construiu seu projeto modernizador sobre o que o geógrafo Paulo Marreiro dos Santos Júnior chamou de "desodorização do espaço urbano": a eliminação simbólica e física de qualquer vestígio cultural que remetesse à natureza amazônica ou às populações originárias.
Esse projeto de apagamento tinha uma contradição estrutural que a pesquisa histórica expõe com clareza: enquanto a administração municipal buscava apagar os vestígios indígenas da paisagem urbana para emular o refinamento europeu, a economia urbana dependia vitalmente da informalidade e dos corpos de mulheres indígenas — Sateré-Mawé, Tukano, Mura — que trabalhavam como domésticas, vendedoras de artesanato, lavadeiras e, em muitos casos, trabalhadoras sexuais.
O livro As Mulheres Sataré-Mawé nas Tramas do Trabalho Doméstico em Manaus (EDUA/UFAM), que "traz a história lacunada e silenciada das mulheres da Amazônia" e "revela os ardis da dominação androcêntrica e eurocêntrica que marca a formação do pensamento social na Amazônia", é uma das fontes centrais para compreender como esse processo funcionou concretamente. O pesquisador Wagner dos Reis Marques Araújo, em dissertação de mestrado (UFAM, 2010) intitulada "Das margens dos rios à margem da sociedade: trajetórias de mulheres Sateré-Mawé no trabalho doméstico em Manaus (AM)", documentou as trajetórias específicas dessas mulheres.
O SciELO publicou, em 2021, pesquisa histórica que demonstrou como o feminicídio e a exploração sexual de mulheres indígenas foram práticas sistemáticas no período da borracha e no seu imediato pós-boom. O artigo, baseado em documentos do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) datados de 1914-1915, comprova crimes perpetrados no Médio Rio Negro — "regime mais amplo e generalizado de violências contra os trabalhadores indígenas dos seringais e piaçabais", incluindo estupros e assassinatos cometidos por seringalistas e seus capatazes. Esses crimes raramente chegavam à Justiça. Raramente chegavam nem mesmo ao conhecimento público. Eram o preço deliberadamente ocultado da borracha.
O Amazonas se orgulha de ter se antecipado à Lei Áurea: em 1884, quatro anos antes da abolição nacional, o estado libertou formalmente seus escravizados. O jornal A Crítica registrou essa data em sua memória histórica como marco de progresso. O que raramente se menciona nessa narrativa de orgulho é o que aconteceu às mulheres negras após a libertação formal. Sem terra, sem acesso ao mercado formal de trabalho, sem proteção legal real, elas migraram do regime explícito da escravidão para o regime implícito do trabalho doméstico servil.
A pesquisa consolidada pela Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do IBICT (bdtd.ibict.br), sob o título "Identidade, beleza negra e racialização: nas mechas da trajetória de vida de Marly Paixão", e o artigo da ANPUH "De escravas a empregadas domésticas" iluminam essa continuidade histórica de forma precisa. A filósofa e militante Lélia Gonzalez, citada em pesquisa contemporânea publicada na Revista Científica sobre feminicídio em Manaus, formulou o nexo de forma irretocável: "A violência de gênero está profundamente conectada à ideia de que a mulher é propriedade do homem". No caso das mulheres negras, a ideia de propriedade tinha ainda a camada adicional do racismo estrutural — que as enxergava não apenas como mulheres subordinadas, mas como seres de segunda categoria em função de sua raça.
No bairro Praça 14 de Novembro (atual Praça 14 de Janeiro), surgido nos finais do século XIX como primeiro núcleo habitacional suburbanizado de operários e ex-escravizados de origem maranhense, as mulheres negras construíram redes de resistência e sobrevivência que incluíam a manutenção de ritos religiosos, a organização de redes de acolhimento mútuo e a participação central nos festejos do Boi Bumbá. Pesquisa publicada na Revista Aedos da UFRGS, intitulada "Negros a bumbar: Boi Caprichoso, sociabilidade e resistência em Manaus (décadas de 1920 a 1940)", documentou que figuras como Safira, Salomé e Judith desempenharam papel central no planejamento financeiro e organizacional dessas manifestações culturais — uma forma de liderança comunitária que a historiografia oficial demorou décadas para reconhecer.
A moralidade social da década de 1920 em Manaus funcionava como um instrumento sofisticado de coerção, especialmente sobre as mulheres que se desviavam dos rígidos preceitos da família nuclear burguesa. E poucas situações concentravam tanto peso moral quanto a condição de mãe solteira. Ser mãe sem marido era, para os padrões da época, não apenas uma condição social — era uma sentença.
A ausência de qualquer política de assistência estatal às mães solteiras — documentada na dissertação disponível no repositório da UFAM sob o título "'Mães de primeira': Grupo operativo de apoio à primeira maternidade" — significava que essas mulheres dependiam inteiramente de redes informais de solidariedade para sobreviver. Quando essas redes falhavam, e frequentemente falhavam, as consequências eram brutais: trabalho infantil precoce para os filhos ("menores vadios" na terminologia policial da época, recolhidos compulsoriamente a asilos corretivos); prostituição de meninas com idade inferior a quinze anos nas ruas centrais; desagregação familiar que a retórica moralista da elite atribuía à "degeneração moral das classes baixas", sem jamais questionar as condições materiais que produziam essa situação.
O trabalho infantil era socialmente chancelado como estratégia de sobrevivência aceita para as classes populares — enquanto era rigorosamente proibido para as crianças da elite, que deviam frequentar as escolas que o Estado havia construído para elas. A seletividade dessa moral dupla revela mais sobre a estrutura de poder da época do que qualquer documento oficial poderia.
O Professor Paulo Marreiro dos Santos Júnior, diretor geral do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas e autor da dissertação de mestrado (PUC-SP, 2005) "Pobreza e prostituição na Belle Époque manauara: 1890-1917" — publicada depois pela Fundação Cultural do Amazonas e resumida em artigo na Revista Cordis (PUC-SP) —, realizou o trabalho mais detalhado de reconstrução histórica do meretrício popular de Manaus. Seu estudo demoliu um mito persistente.
A narrativa dominante da prostituição na Manaus da borracha era a do glamour: "cocotes" francesas e "polacas" (trabalhadoras sexuais de origem polonesa ou do leste europeu) que frequentavam cassinos luxuosos ao lado de ricos comerciantes e seringalistas. Era uma narrativa que os cronistas da época preferiam porque eram eles mesmos, frequentemente, frequentadores desses estabelecimentos. O que Santos Júnior demonstrou, com base em crônicas policiais e documentos judiciários, é que esse meretrício de luxo era uma fração minúscula do universo real da prostituição manauara.
A grande maioria das trabalhadoras sexuais de Manaus eram "mulheres nativas pobres, indígenas e nordestinas", como registra a pesquisa desta investigação, citando os dados encontrados em revistas.pucsp.br. Eram caboclas, mestiças e negras locais que ingressavam no mercado sexual como recurso extremo de obtenção de sustento em decorrência de sua exclusão sistemática dos escassos postos de trabalho formais. Habitavam pensões e tabernas periféricas, atendendo a uma clientela popular, e eram objeto de repressão policial constante — não pelo exercício da atividade, que a sociedade tolerava enquanto discreta, mas por "atos de descompostura em público" e "inconveniências à moralidade".
A análise das ocorrências policiais documentadas por Santos Júnior revela a proporção aproximada de 35 prisões por distúrbio de ordem pública para cada 62 prisões por acusação direta de prostituição — evidenciando que a repressão policial tinha como objetivo principal higienizar o espaço público central, impondo padrões de invisibilidade às prostitutas pobres que ousavam existir de forma audível. O artigo de pesquisa encontrado no repositório de periódicos da FURG (periodicos.furg.br) confirma essa dinâmica: "Pobreza e Prostituição na Belle Époque Manaura: 1890-1917" é outra das fontes centrais desta investigação.
A pesquisa da Revista da Sociedade de Estudos e Pesquisas Qualitativos (revistasep.org.br), intitulada "A Economia Política do Corpo das Mulheres Amazônicas", aprofunda a análise ao demonstrar que "as economias de enclave — como o trabalho doméstico e a prostituição —" inseriam as mulheres amazônicas numa condição de "inserção subordinada, marcada pela interseção entre gênero, raça e território". O corpo feminino amazônico foi instrumentalizado pelo capital e pelo Estado — não apenas como força de trabalho, mas como território de colonização.
Havia algo de profundamente surrealista na Manaus da primeira metade da década de 1920. O Teatro Amazonas ainda abria suas portas para temporadas de ópera. Os salões das mansões do bairro Praça da Polícia ainda recebiam bailes com orquestra. Os cafés do centro ainda serviam chocolate quente importado e bolos de receita europeia. E enquanto tudo isso acontecia, a um quarteirão de distância ou na casa ao lado — na cozinha, no quartinho dos fundos, no igarapé da próxima esquina —, mulheres trabalhavam até a exaustão para que esse mundo de aparências pudesse continuar existindo.
O historiador Luciano Everton Costa Teles, em sua dissertação depositada no repositório da UFAM (tede.ufam.edu.br) e intitulada "A vida operária em Manaus: imprensa e mundos do trabalho (1920)", documenta como o jornal A Vida Operária — fundado em 1920 como parte da imprensa anarco-sindicalista local — foi o único veículo a dar visibilidade sistemática às condições de trabalho das classes populares, incluindo as mulheres. "A imprensa operária registrou a presença e a voz ativa de mulheres que, rompendo com as amarras do espaço doméstico, participavam de comícios no Largo de São Sebastião e em agremiações de classe", evidencia a pesquisa consolidada desta investigação.
O artigo encontrado no ResearchGate sob o título "'Também eram exploradas!': as mulheres e o Primeiro de Maio em Manaus na década de 1910" (mail.sumarios.org), que cobre o período imediatamente anterior à nossa análise, demonstra que a consciência política das trabalhadoras manauaras antecede a década de 1920 — o que torna ainda mais significativa a repressão sistemática que sofreu. O artigo publicado no periódico de história da UFOP (periodicos.ufop.br) — "Manaus da Belle Époque: um cotidiano em tensão. A Utopia da Modernidade na Cidade Disciplinar, 1890-1920" —, que integra o corpus documental desta investigação, confirma: a modernidade em Manaus era seletiva, disciplinadora e profundamente excludente.
Há um dado que resume, de forma perturbadora, a relação entre a história oficial e as mulheres trabalhadoras de Manaus: quando elas aparecem na documentação da época — nos jornais, nos relatórios policiais, nos registros administrativos municipais —, quase invariavelmente surgem enquadradas pela ótica estigmatizante dos relatórios criminais, associadas de antemão a condutas desregradas, perturbação da moral pública ou vadiagem. Quando não aparecem como criminosas, simplesmente não aparecem.
"A história oficial preservou os barões da borracha, mas esqueceu as mulheres que sustentaram silenciosamente a cidade", sintetiza o marco desta investigação. E essa não é uma afirmação hiperbólica — é o resultado mensurável de uma escolha editorial sistemática feita pelos produtores de documentos históricos ao longo de décadas. Como demonstra a pesquisa da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) consultada nesta investigação, "a carência de fontes diretas, cartas, diários e depoimentos escritos por essas sujeitas históricas de classe baixa acabou por condená-las ao esquecimento historiográfico".
Recuperar essa memória exige, como bem formulou o historiador contemporâneo Walter Benjamin, uma "leitura a contrapelo" das fontes oficiais — encontrar nas margens dos documentos produzidos para outros fins os rastros das existências que esses documentos não se propunham a registrar. É o que fazem pesquisadores como a jornalista e historiadora Betsy Bell, com seus sete anos de pesquisa, ou a professora Maria Luiza Ugarte Pinheiro, da UFAM, em sua extensa obra sobre gênero e mundos do trabalho na Manaus histórica. É o que esta investigação se propôs a fazer.
O Boletim do Histórico publicado na Universidade Federal de Sergipe (periodicos.ufs.br) sob o título "A 'Expressão Desejada' de Manaus-AM no início do século XX" documenta os mecanismos de controle e apagamento sistemático das classes populares na capital amazônica. A pesquisa encontrada em historia.uff.br — "Mulheres no seringal: experiência, trabalho e muitas histórias (1940-1950)" —, embora focada numa década posterior, revela a continuidade de dinâmicas estabelecidas exatamente na época que esta investigação analisa.
Era o começo de 1924. A Amazônia acordava mais uma vez com o cheiro de terra molhada e serrapilheira em decomposição que é o perfume específico da floresta depois da chuva. Nos salões do Teatro Amazonas, a temporada de ópera havia sido cancelada por falta de recursos. Nas ruas do centro, alguns casarões da Belle Époque começavam a mostrar as primeiras manchas de umidade que décadas depois os transformariam em ruínas fotogênicas. E no igarapé do Educandos, antes que o sol sequer despontasse sobre as copas das gameleiras, as lavadeiras já estavam de joelhos nas pedras, as mãos vermelhas d'água, trabalhando.
Elas sobreviveram ao fim das folias. Não porque o sistema as protegeu — ele jamais o fez. Sobreviveram porque construíram, entre si, redes invisíveis de solidariedade que a historiografia demorou décadas para reconhecer como o que eram: formas sofisticadas de resistência coletiva. Sobreviveram porque adaptaram seus saberes às novas condições de uma economia em colapso. Sobreviveram porque não tinham alternativa — e porque, quando não há alternativa, as pessoas encontram dentro de si uma tenacidade que surpreende até a elas mesmas.
"Ao ocuparem as cabeceiras dos igarapés periféricos, governarem as cozinhas domésticas residenciais, produzirem trajes, organizarem o pequeno comércio informal e estruturarem as redes de sociabilidade e cultura popular nos subúrbios negros e indígenas, essas mulheres asseguraram a continuidade biológica da urbe", como sintetiza a pesquisa documental desta investigação. Foram elas, e não os barões da borracha que partiram com suas fortunas, quem garantiu que Manaus continuasse existindo como cidade e como comunidade humana depois que as folias acabaram.
E há uma continuidade histórica que esta investigação não pode ignorar sem falhar em sua responsabilidade informacional: a estrutura de opressão que atingia essas mulheres no século XX não foi desmantelada pelo tempo. Ela foi transformada, sofisticada, redistribuída — mas permanece. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicados em 2024 no estudo "Cartografias da Violência na Amazônia", revelam que o Amazonas registra taxa de feminicídio de 6,4 mortes por 100 mil mulheres — 69% acima da média nacional. O projeto Vigifeminicídio da Fiocruz identificou aproximadamente 220 feminicídios em Manaus apenas entre 2016 e 2022, enquanto as estatísticas oficiais de condenações não chegaram a registrar sequer 100 casos em todo o estado, em toda a sua existência. As mulheres indígenas e negras são as mais vulneráveis.
O feminicídio não é uma tragédia nova. É uma linha contínua que atravessa séculos. As lavadeiras dos igarapés de 1920 conheciam a violência — a violência dos corpos exaustos, dos salários negados, do espaço público hostil, da moral hipócrita que as criminalizava por precisar sobreviver. A Shirley Baré, multiartista indígena que ancestralizou em dezembro de 2025 aos 27 anos, cuja morte ecoou nas marchas do 8 de março de 2026 em Manaus, é filha dessa mesma linhagem de apagamento deliberado. Entre elas e as lavadeiras do Educandos há cem anos de história que a academia ainda está aprendendo a contar.
Entre palacetes, ruas antigas e fotografias amareladas, permanecem deliberadamente apagadas as mulheres que sobreviveram ao fim das folias do látex e sustentaram com suas mãos a permanência humana da cidade. Não foram invisíveis. Foram sistematicamente esquecidas. Há uma diferença — e ela importa. Pesquisadoras como Betsy Bell dedicam suas vidas a desfazer esse apagamento. Esta investigação é uma contribuição a esse trabalho. Que seja um passo — entre muitos necessários — para que a história oficial de Manaus finalmente inclua todas as mãos que a construíram.
Esta investigação foi sustentada por pesquisa documental em 43 domínios institucionais distintos, conforme mapeamento realizado pela plataforma Perplexity AI em pesquisa profunda conduzida como base desta reportagem. Foram identificadas e analisadas 69 fontes documentais em total, distribuídas nas seguintes categorias:
Repositórios de teses e dissertações de universidades públicas: UFAM, UEA, USP, PUC-SP, UFRGS, IPEA. Bases de dados científicas e periódicos acadêmicos: Dialnet, SciELO, IBICT, ResearchGate, Academia.edu, Sumários.org e revistas científicas de diversas universidades. Portais de notícias e mídia regional: Portal Amazônia, A Crítica, G1 Amazonas, National Geographic Portugal, Viagem e Turismo. Sites oficiais de governos, museus e associações: Prefeitura de Manaus, IPHAN, Academia Amazonense de Letras, Associação Comercial do Amazonas. Plataformas de distribuição de documentos e livros digitais: Scribd, Google Livros, Google Acadêmico, ORCID.
ANDRADE, Mário de. O turista aprendiz. São Paulo: Duas Cidades/Secretaria da Cultura, 1976.
ARAÚJO, Wagner dos Reis Marques. Das margens dos rios à margem da sociedade: trajetórias de mulheres Sateré-Mawé no trabalho doméstico em Manaus (AM). Dissertação (Mestrado em Sociedade e Cultura da Amazônia). Manaus: UFAM, 2010.
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BERNAL, Roberto Juramillo. Índios urbanos: processo de reconformação das identidades étnicas indígenas em Manaus. Manaus: EDUA/Faculdade Dom Bosco, 2009.
DIAS, Edinea Mascarenhas. A ilusão do fausto: Manaus, 1890-1920. Manaus: Valer, 1999. [3ª. ed. 2019].
FIGUEIREDO, Aldrin. Resenha de 'A ilusão do fausto: Manaus, 1890-1920'. Revista Brasileira de História, São Paulo, v.21, n.40, 2001.
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA (FBSP). Cartografias da Violência na Amazônia. São Paulo: FBSP, 2024.
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Os dados históricos foram obtidos por meio de pesquisa documental em repositórios universitários, periódicos científicos e acervos institucionais brasileiros, com suporte de ferramentas de inteligência artificial para organização e verificação cruzada das fontes. A pesquisa de base histórica de mais de sete anos é de autoria da jornalista e historiadora Betsy Bell. Total de domínios consultados: 43. Total de fontes documentais identificadas: 69.
ADÃO JOSÉ GOMES
Jornalista — MTB-AM 000191
CEO e Fundador — www.nafesta.com.br
MBA em Inteligência Artificial para Organizações Contemporâneas — La Salle University
26 anos · +83.500 matérias publicadas · zero processos judiciais
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