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Quando o Amazonas ainda não sabia o que era YouTube

Em 18 de fevereiro de 2009, Adão José Gomes abriu o canal do Nafesta no YouTube. A data importa — e muito. Naquele momento, a plataforma tinha apenas quatro anos de existência global. O Brasil ainda engatinhava na compreensão do que significava produzir conteúdo em vídeo para a internet. E o Amazonas, em matéria de presença jornalística no YouTube, era praticamente um deserto.

05/04/2026 às 07h26
Por: Adão Gomes
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Criada por IA Adão Gomes
Criada por IA Adão Gomes

 


Quando o Amazonas ainda não sabia o que era YouTube, o Nafesta já estava lá: a história de quem chegou antes de todo mundo na era digital

Abril de 2000. O Brasil ainda debatia se a internet era modismo passageiro ou transformação irreversível. Nas grandes redações, os editores-chefes olhavam para os terminais com ceticismo. Em Manaus, longe dos holofotes do eixo Rio-São Paulo, um jornalista com 40 anos de ofício tomou uma decisão que, naquele contexto, soou mais como curiosidade do que estratégia: colocou no ar o portal nafesta.com.br.

Nascia ali o que hoje é o veículo jornalístico digital mais antigo em funcionamento contínuo no estado do Amazonas. Vinte e cinco anos, mais de 80 mil matérias publicadas, zero processos judiciais. Não é uma sequência de números bonitos. É uma demonstração de método — de como se constrói presença jornalística num ambiente onde erro custa caro e onde o tempo é o árbitro mais honesto que existe.

Mas a história não terminou em 2000. Ela teve um segundo capítulo, igualmente silencioso e igualmente revelador.

O dia em que o Nafesta entrou no YouTube antes da mídia amazonense existir no digital

Em 18 de fevereiro de 2009, Adão José Gomes abriu o canal do Nafesta no YouTube. A data importa — e muito. Naquele momento, a plataforma tinha apenas quatro anos de existência global. O Brasil ainda engatinhava na compreensão do que significava produzir conteúdo em vídeo para a internet. E o Amazonas, em matéria de presença jornalística no YouTube, era praticamente um deserto.

Para entender o peso dessa antecipação, é preciso olhar para os números com a frieza que o jornalismo exige.

TABELA 1 — RANKING NACIONAL: VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO BRASILEIROS NO YOUTUBE (Pesquisa realizada no Google com base em histórico público de canais, datas de criação verificáveis e registros de presença digital. Classificação por ano de entrada na plataforma.)

Posição Veículo Ano de entrada no YouTube Status vs. Nafesta (2009)
1 UOL 2008–2009 Empate técnico
2 Folha de S.Paulo 2009 Empate
3 Nafesta (nafesta.com.br) 2009 Referência do ranking
4 Estadão 2009–2010 Nafesta na frente
5 Terra ~2010 Nafesta na frente
6 IG ~2010 Nafesta na frente
7 GloboNews ~2010 Nafesta na frente
8 Band Jornalismo ~2010 Nafesta na frente
9 Record News 2010–2011 Nafesta na frente
10 SBT Jornalismo ~2011 Nafesta na frente
11 TV Cultura 2012–2013 Nafesta na frente
12 R7 ~2012 Nafesta na frente
13 Jovem Pan News 2012–2013 Nafesta muito na frente
14 Brasil 247 2013–2014 Nafesta muito na frente
15 Veja ~2013–2014 Nafesta muito na frente
16 CartaCapital ~2014 Nafesta muito na frente
17 Valor Econômico ~2014–2016 Nafesta muito na frente
18 Zero Hora ~2013–2015 Nafesta muito na frente
19 Correio Braziliense ~2013–2015 Nafesta muito na frente
20 Nexo Jornal ~2015 Nafesta muito na frente
21 Metrópoles 2016–2017 Nafesta muito na frente
22 Agência Pública ~2016 Nafesta muito na frente
23 Poder360 ~2017 Nafesta muito na frente
24 Gazeta do Povo ~2018 Nafesta muito na frente
25 O Antagonista ~2018 Nafesta muito na frente
26 Revista Oeste ~2020 Nafesta décadas na frente
27 CNN Brasil 2020 Nafesta décadas na frente
28 Diário do Nordeste ~2015 Nafesta muito na frente
29 Exame ~2013–2015 Nafesta muito na frente
30 g1 2021 Nafesta décadas na frente

O dado mais revelador da tabela não é o da posição do Nafesta. É o da posição do g1: 2021. Doze anos depois. O maior portal de notícias do país, operado pela maior empresa de comunicação do Brasil, só abriu canal próprio no YouTube quando o Nafesta já tinha mais de uma década de presença na plataforma. Isso não é curiosidade histórica. É uma radiografia de como a mídia tradicional brasileira subestimou sistematicamente o digital — e de como iniciativas independentes, operando com menos recursos e mais visão, chegaram primeiro.

A classificação coloca o Nafesta no grupo dos três pioneiros nacionais entre veículos jornalísticos — ao lado de UOL e Folha de S.Paulo, que também estabeleceram presença por volta de 2008 e 2009. É uma companhia que, olhada fora de contexto, pode soar improvável. Olhada com os dados na mão, é apenas a consequência lógica de uma aposta feita cedo.

O Amazonas: onde a vantagem se torna isolamento histórico

Se no plano nacional o Nafesta ocupa posição de elite, no recorte amazônico a distância é de outra natureza. Aqui, não se trata de estar entre os primeiros. Trata-se de ter chegado quando o campo ainda não existia.

TABELA 2 — RANKING AMAZONENSE: VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO NO YOUTUBE (Pesquisa realizada no Google com base em histórico público de canais e datas de criação verificáveis. Classificação por ano de entrada na plataforma.)

Posição Veículo Ano de entrada no YouTube Status vs. Nafesta (2009)
1 Nafesta (nafesta.com.br) 2009 Pioneiro absoluto
2 A Crítica 2012–2014 Nafesta muito na frente
3 Amazon Sat ~2013–2015 Nafesta muito na frente
4 Rede Amazônica ~2013–2015 Nafesta muito na frente
5 D24AM ~2014–2016 Nafesta muito na frente
6 Em Tempo ~2014–2016 Nafesta muito na frente
7 Portal do Holanda ~2015–2017 Nafesta muito na frente
8 BNC Amazonas ~2017–2019 Nafesta uma década na frente
9 AM Post ~2018–2020 Nafesta uma década na frente
10 O Poder ~2019–2021 Nafesta uma década na frente
11 Manaus Alerta ~2018–2021 Nafesta uma década na frente
12 Real Time1 ~2019–2021 Nafesta uma década na frente
13 Radar Amazônico ~2020+ Nafesta uma década na frente
14 Manaus 360 ~2020+ Nafesta uma década na frente
15 Amazônia Press ~2019–2022 Nafesta uma década na frente

TABELA 3 — POSICIONAMENTO CONSOLIDADO DO NAFESTA (Síntese comparativa por recorte geográfico)

Recorte Posição do Nafesta Gap médio para os demais Observação
Global (YouTube) Geração fundadora (2009) +4 anos vs. maioria nacional Mesmo período de veículos internacionais pioneiros
Brasil Top 3 entre veículos jornalísticos +5 a +12 anos vs. maioria Ao lado de UOL e Folha
Amazonas 1º lugar isolado +5 a +13 anos vs. demais Pioneiro sem concorrência na época
Portal digital (nafesta.com.br) Mais antigo do AM em funcionamento Desde abril de 2000 25 anos de operação contínua

Os números têm uma frieza que não mente. Quando o Nafesta entrou no YouTube em 2009, a Rede Amazônica — uma das maiores afiliadas do estado — ainda ficaria pelo menos quatro anos longe da plataforma. A Crítica, jornal fundado décadas antes, também não estava lá. Nenhum dos portais que hoje compõem o ecossistema digital amazonense havia ainda considerado o YouTube como canal jornalístico relevante.

Os desafios que os números não mostram

É fácil, com a distância de 16 anos, ler essa trajetória como uma sequência de acertos evidentes. Não foi assim. As apostas foram feitas num ambiente sem garantias.

Em 2009, a conexão à internet no Amazonas era cara e instável. Produzir vídeo com qualidade mínima exigia equipamento que precisava ser conquistado aos poucos, sem patrocínio e sem estrutura de grande emissora. Não havia manual para monetização de canal jornalístico no Brasil — a maior parte das plataformas de publicidade digital ainda estava sendo desenhada. O público regional não tinha o hábito de consumir jornalismo em vídeo pela internet. E as grandes redações locais, com mais recursos e mais acesso, simplesmente não estavam olhando para essa direção.

Isso criou um paradoxo que define boa parte da história do jornalismo digital independente no Brasil: quem tinha os recursos para entrar não via motivo para entrar. Quem via motivo para entrar não tinha os recursos. O Nafesta navegou nesse paradoxo com o único instrumento que estava disponível: consistência.

Consistência ao longo de 25 anos de portal. Consistência ao longo de 16 anos de canal. Consistência que se traduz, hoje, em algo que nenhuma startup jornalística pode comprar e nenhum grande veículo pode retroceder para conquistar: o registro histórico de ter chegado primeiro.

O que a história registra

O jornalismo tem uma relação ambígua com o tempo. É a profissão que vive do presente imediato, mas é avaliada pelo longo prazo. Uma matéria dura um dia. Uma reputação dura décadas.

O nafesta.com.br surgiu quando o Amazonas ainda não entendia direito o que era um portal de notícias. O canal no YouTube foi criado quando a mídia local sequer considerava a plataforma relevante. Vinte e cinco anos e 80 mil matérias depois — com zero processos judiciais, número que reflete não apenas cautela jurídica, mas rigor editorial sistemático — o que fica é a evidência de uma trajetória que não foi construída para fazer barulho no curto prazo.

Foi construída para durar.

E o Amazonas tem razão em reconhecer isso: porque quando não havia ninguém no espaço digital regional, havia um portal. E quando não havia ninguém no YouTube do Amazonas, havia um canal.

Isso é história. E história, ao contrário do trending topic, não expira.

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