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Quem Ganhou, Quem Perdeu e Quem Traiu

Dez deputados amazonenses — federais e estaduais — movimentaram suas cadeiras. Cinco já oficializaram as trocas antes do fechamento. Os outros cinco fizeram suas contas até o último minuto. Ninguém mudou por convicção. Mudaram por sobrevivência.

04/04/2026 às 11h00 Atualizada em 04/04/2026 às 13h44
Por: Adão Gomes
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Criada por IA Adão Gomes
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Análise Política e Estratégica | Eleições 2026

Quem Ganhou, Quem Perdeu e Quem Traiu: O Balanço Definitivo da Janela Partidária que Redesenhou — e Abalou — o Poder no Amazonas

Autoria: Adão Gomes


Nota editorial: Esta análise foi produzida com dados públicos do TSE, TRE-AM e pesquisas registradas na Justiça Eleitoral. O autor não tem filiação partidária, não representa candidatos ou partidos e não declara preferência por nenhuma das forças políticas aqui mencionadas. O objetivo é exclusivamente informativo. Palavras como 'traição' e 'ingratidão' refletem o vocabulário dos bastidores políticos — não um juízo de valor do autor. Cada leitor tira suas próprias conclusões.


Quando o relógio marcou 23h59 da sexta-feira, 3 de abril de 2026, o Amazonas já não era o mesmo. A janela partidária — 30 dias previstos no artigo 22-A da Lei 9.096/1995 — encerrou seu ciclo oficial para deputados com mandato. Mas o tabuleiro ainda girava: neste sábado, 4 de abril, vence o prazo para que qualquer cidadão que pretenda concorrer em outubro esteja com a filiação deferida no sistema FILIA do TSE. Dois prazos, uma única consequência — o Amazonas acorda com um mapa político que poucos previram.

Dez deputados amazonenses — federais e estaduais — movimentaram suas cadeiras. Cinco já oficializaram as trocas antes do fechamento. Os outros cinco fizeram suas contas até o último minuto. Ninguém mudou por convicção. Mudaram por sobrevivência.

O MDB como polo de atração — e a estratégia de Braga

A jogada mais calculada da janela ficou com o MDB. Em cerimônia na sede do partido em Manaus, o senador Eduardo Braga recebeu dois deputados federais com mandato e votações expressivas. Saullo Vianna deixou o União Brasil e Adail Filho saiu do Republicanos — ambos migrando para a legenda do senador que tenta se reeleger em outubro.

Adail Filho, 33 anos, ex-prefeito de Coari entre 2017 e 2020, foi eleito em 2022 com mais de 90 mil votos e integra a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. Representa o clã político mais influente do médio Solimões. Sua chegada ao MDB não é numérica — é territorial. Junto com Arthur Virgílio Neto e a ativista indígena Vanda Witoto, que também assinaram a ficha, o MDB monta uma chapa com alcance da capital ao interior profundo. A leitura política é direta: vieram construir o quociente eleitoral que sustente a volta de Braga ao Senado por mais oito anos.

Amom Mandel e a equação do Republicanos

O capítulo mais comentado foi protagonizado pelo deputado mais votado do estado em 2022. Amom Mandel oficializou sua filiação ao Republicanos em 26 de março — a certidão de filiação no TSE registra a data. A razão estrutural é objetiva: o Cidadania contava com apenas quatro deputados federais — menos fundo partidário, menos fundo eleitoral, menos tempo de propaganda. Segundo sua assessoria, a articulação ocorreu em nível nacional, sem tratativas diretas com Silas Câmara, presidente do Republicanos no Amazonas. As negociações com o Podemos estavam avançadas, mas a desistência do governador Wilson Lima de disputar o Senado inviabilizou o movimento.

O resultado: Mandel entra em um partido com musculatura, mas disputará votos no mesmo estado com Silas Câmara — liderança religiosa com base consolidada entre evangélicos e municípios do interior. Dois perfis radicalmente distintos, na mesma sigla, mirando o mesmo eleitorado proporcional. A tensão está posta.

O Avante sangra — e David sentiu  as traições 

O partido do prefeito foi o que mais perdeu. O deputado estadual Wanderley Monteiro oficializou sua filiação ao União Brasil em 6 de março — confirmado no sistema do TSE. A saída tem contexto: Monteiro foi alvo de pedido de expulsão após assinar requerimento investigativo contra o programa Asfalta Manaus. A expulsão não se concretizou, mas a ruptura sim. A deputada estadual Rozenha migrou do PMB para o PSD do senador Omar Aziz — mais uma peça se posicionando sob o guarda-chuva do provável futuro governador. David Almeida chega à disputa com a bancada do Avante na Aleam reduzida à metade. Deixou a prefeitura em 31 de março para se desincompatibilizar. A aposta é tudo ou nada.

As pesquisas: Aziz lidera, mas a rejeição é o dado que ninguém comenta

Consolidado de nove pesquisas registradas no TRE-AM — institutos Quaest, AtlasIntel e Real Time Big Data, março de 2026: Omar Aziz lidera com média de 37% das intenções de voto para governador. Maria do Carmo Seffair, do PL, sustenta 30%. David Almeida aparece com 20%. O dado que os bastidores evitam comentar: Aziz acumula 40% de rejeição. David Almeida lidera esse ranking com 47% — e apenas 7% de voto consolidado. A AtlasIntel registrou empate técnico entre Aziz e Seffair dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais. A força de Aziz está no interior — 49% das intenções de voto contra 30% na capital. Maria do Carmo cresce exatamente onde Aziz enfraquece: no eleitorado urbano de Manaus e no campo conservador nacional energizado pelo PL, partido que ultrapassou 100 deputados federais nesta janela.

Senado: empate técnico triplo e seis meses de indefinição

Capitão Alberto Neto lidera com 22%, mas enfrenta empate técnico triplo na segunda posição: Eduardo Braga com 17%, Plínio Valério com 13% e Delegado Costa e Silva com 13%. Outros candidatos somam 12% e os indecisos chegam a 6%. É nesse cenário fragmentado que as filiações de Saullo Vianna e Adail Filho ao MDB ganham sentido mais profundo — vieram construir o quociente que sustente Braga, não apenas suas próprias reeleições.

O que os números de base revelam

253.189 eleitores formalmente filiados no Amazonas — 9,5% do eleitorado apto. O Podemos lidera com 28.219 filiados após incorporar o PSC. PT tem 22.602. Republicanos, 21.627. O filiado médio tem ensino médio completo, está na faixa dos 45 a 59 anos e 46,9% estão na mesma legenda há mais de dez anos. É um eleitor de vínculos longos, sensível à entrega local, impermeável a ondas urbanas passageiras. Com o prazo de filiação encerrado neste sábado, 4 de abril — seis meses exatos antes do primeiro turno — o calendário entra na fase das convenções partidárias, marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto, e do registro de candidaturas até 15 de agosto.

Traição ou estratégia? O eleitor que decide

Nos bastidores políticos do Amazonas, as palavras mais ouvidas nestas semanas foram duas: traição e ingratidão. Aliados deixados para trás, legendas esvaziadas da noite para o dia, padrinhos políticos ignorados. É o vocabulário natural de quem perdeu uma peça no tabuleiro. Mas a lei não chama isso de traição. Chama de janela partidária. E o eleitor — esse sim — é quem tem a palavra final sobre o que cada movimento significou. Em outubro, nas urnas, cada voto será uma resposta silenciosa a tudo o que aconteceu nestes 30 dias. O Amazonas que vai às urnas não sabe ainda quem vai com quem. Sabe apenas quem trocou de lado — e por quê.


Verificação realizada em parceria: Nafesta + Adão Gomes, jornalista MTB-000191/AM, seguindo protocolo AZR-BRS de governança cognitiva. Strategic Foresight & Cognitive Governance. Esta análise consultou 44 bases institucionais verificáveis. Analista de Inteligência Política, Empresarial, Setorial e Estratégica. MBA em IA para Organizações Contemporâneas — La Salle University. SNCPI — Sistema de Governança Cognitiva Ativo.Fundador do portal mais antigo do AM (desde 2000). Especialista em Análise de Risco Estratégico e Blindagem de Dados. Pesquisa Jurídica Aplicada · Análise Normativa e Regulatória para Gestão de Risco. 25 anos · +80.000 matérias, zero processos, textos de sua autoria com apoio de IA. "A tecnologia executa, o autor conduz." Protocolo AZR-BRS v2.0 AZR Híbrido. www.nafesta.com.br

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