
ANÁLISE POLÍTICA ESTRATÉGICA — ELEIÇÕES 2026
100 Mil Eleições Simuladas por Inteligência Artificial Revelam a Dupla Mais Provável ao Senado pelo Amazonas em 2026, Identificam Quem Puxa Quem no Voto Duplo — e Expõem os Nomes que Ficaram sem Chance em Nenhum Cenário Testado
Autoria: Adão Gomes — www.nafesta.com.br | 09 de março de 2026
O que acontece quando um jornalista decide parar de especular e colocar números para trabalhar? Acontece algo que a imprensa amazonense ainda não tinha experimentado: uma modelagem estatística em Python, alimentada pelos dados reais das três principais pesquisas eleitorais de março de 2026, que simulou cem mil eleições para o Senado Federal pelo Amazonas. Não cem. Não mil. Cem mil cenários distintos, cada um com variações aleatórias dentro da margem de erro declarada pelos institutos, processados por algoritmo de Monte Carlo — o mesmo método que bancos utilizam para calcular risco financeiro e que laboratórios farmacêuticos empregam para testar eficácia de medicamentos antes de liberar um remédio ao mercado. O resultado não é palpite de colunista, não é achismo de bastidor, não é fonte que pediu anonimato numa cafeteria de Brasília. É probabilidade bruta, replicável, auditável — o script está disponível para quem quiser verificar cada linha de código. E os números que saíram dessa máquina vão incomodar candidaturas que se acreditavam competitivas.
Antes dos resultados, o contexto que reconfigura o tabuleiro inteiro: Wilson Lima desistiu. O governador permanece no cargo até o fim do mandato e não disputará o Senado. Essa decisão — confirmada e irreversível — retira da corrida o candidato que ocupava a terceira posição nas sondagens, com média ponderada de 28% das intenções de voto, e cuja base eleitoral se espalhava por mais da metade dos municípios interioranos com o maior arco de alianças já costurado na história política do estado. Os votos de Lima não evaporam. Eles migram. E para onde migram — se para Braga no interior, se para Alberto Neto e Valério na direita, ou se dispersam de maneira equilibrada — é a pergunta que determina quem fica com a segunda cadeira.
A simulação partiu de três fontes demoscópicas — RealTime1 (2.000 entrevistas, março de 2026), Census Consultoria (margem de 2,2%) e Real Time Big Data (1.200 ouvidos entre dezembro e março) — ponderadas por qualidade amostral. A média resultante, já descontado Wilson Lima e aplicada a matriz de transferência dos seus votos, posiciona o ranking assim: Eduardo Braga (MDB) na dianteira com 46,6%, seguido por Capitão Alberto Neto (PL) com 36,4%, Plínio Valério (PSDB) em 31,0%, Marcelo Ramos (PT) com 17,9% e Marcos Rotta (Avante) fechando a fila com 15,4%. Braga herda a parcela mais robusta dos votos interioranos de Lima — estimados em 35% da transferência, equivalentes a 9,8 pontos percentuais. Alberto Neto e Valério dividem a fatia de centro-direita, cada um absorvendo cerca de 5,6 pontos. Ramos e Rotta capturam resíduos — o que, em termos de projeção eleitoral, significa insuficiência competitiva.
Agora o que a simulação revelou — e que nenhuma pesquisa convencional consegue mostrar. O eleitor amazonense vota duas vezes para o Senado. Escolhe dois nomes. Essa mecânica do voto duplo significa que a eleição não se resolve por confronto direto entre rivais, mas por combinações de duplas. Não importa apenas quem é o mais votado; importa quem forma par com quem. A modelagem testou todas as combinações possíveis de duplas vencedoras, cem mil vezes, com variações aleatórias dentro da margem de erro. O veredito estatístico é cortante: Eduardo Braga aparece entre os dois eleitos em 100% das simulações. Cem por cento. Em nenhum dos cem mil cenários gerados ele ficou de fora. Sua posição na primeira cadeira é, nos limites do modelo, inexpugnável — a probabilidade de ser o mais votado atinge 99,2%.
A segunda cadeira é onde a guerra se decide. Alberto Neto ocupa esse espaço em 90,1% das simulações. Valério consegue entrar em 9,9%. Marcelo Ramos e Marcos Rotta não aparecem entre os dois mais votados em nenhum dos cem mil cenários testados. Nenhum. Zero absoluto. A brutalidade desse número merece uma pausa: o modelo não encontrou uma combinação sequer — entre cem mil tentativas com variações aleatórias — em que Ramos ou Rotta alcançassem votação suficiente para conquistar a vaga. A distância numérica entre eles e os três primeiros colocados é larga demais para ser transposta pela margem de erro. Para Ramos, significa que a estratégia de confronto de rua anunciada em março não se traduz em aritmética viável. Para Rotta, confirma que sua pré-candidatura funciona como instrumento de barganha do Avante, não como postulação real ao Senado.
A dupla mais provável, portanto, é Braga + Alberto Neto, com 90,1% de probabilidade. A segunda combinação plausível é Braga + Valério, com 9,9%. Todas as demais duplas registraram ocorrência estatisticamente irrelevante. Essa concentração não é óbvia — Braga e Alberto Neto ocupam extremos opostos do espectro político, com apenas 8% de afinidade cruzada entre seus eleitorados. A explicação é geográfica, não ideológica: eles não competem pelo mesmo voto. Braga domina o interior com 66,3% de adesão. Alberto Neto domina Manaus com 35,4%. São dois exércitos que marcham em territórios distintos sem se esbarrar. O voto duplo permite que o eleitor interiorano escolha Braga na primeira marca e alguém de outro perfil na segunda — e o eleitor manauara faça exatamente o espelho invertido. Na prática, o sistema elege uma dupla que representa dois Amazonas diferentes: o dos rios e o do asfalto, cada qual com seu campeão.
A análise de sensibilidade testou três cenários alternativos de migração dos votos de Wilson Lima, porque a transferência é a variável de maior incerteza no modelo — ninguém sabe ainda para onde os eleitores de Lima efetivamente caminharão. No cenário em que a transferência beneficia fortemente Braga (45% dos votos migrando para o senador, hipótese plausível dada a sobreposição territorial no interior), a dupla Braga + Alberto Neto recua para 86% e a combinação Braga + Valério sobe para 14%. No cenário inverso, em que a direita absorve a maior fatia (40% para Alberto Neto e Valério somados, hipótese que se concretiza se Lima endossar candidaturas de centro-direita), a dupla Braga + Alberto Neto dispara para 96,8% — praticamente uma certeza estatística. No cenário de dispersão equilibrada, Valério ganha fôlego e alcança 16,9% de chance de ocupar a segunda cadeira. Em todos os três cenários — repita-se: em todos —, Braga permanece na primeira posição e Ramos e Rotta permanecem zerados. A variação nos cenários altera quem disputa a segunda vaga, jamais quem ocupa a primeira.
O efeito locomotiva — quem puxa quem — é a camada mais reveladora da modelagem. Quando Braga vence a primeira cadeira (o que ocorre em 99,2% das simulações), o segundo eleito é Alberto Neto em nove de cada dez vezes e Valério em uma de cada dez. Quando Alberto Neto eventualmente conquista a posição de mais votado (0,7% dos cenários), Braga ocupa a segunda cadeira em 100% dessas ocorrências. Quando Valério consegue uma das vagas (9,9%), Braga invariavelmente é o outro eleito. Traduzindo para linguagem de campanha: Braga é o eixo fixo ao redor do qual toda a eleição gira. Ninguém conquista cadeira sem que ele esteja ao lado. A disputa real é pelo direito de sentar-se na poltrona vizinha.
Os blocos eleitorais que emergem da simulação desenham a mecânica do voto duplo amazonense com precisão cirúrgica. No bloco governista, o eleitor marca Braga na primeira opção e tende a complementar com Ramos na segunda — a afinidade cruzada entre os dois é de 45%, a mais elevada de toda a matriz. Porém os 17,9% de Ramos não geram volume suficiente para converter essa simpatia em cadeira senatorial. O voto de esquerda que deveria irrigar Ramos escorre para Braga por lógica de utilidade: o eleitor pragmático prefere garantir a eleição do candidato viável a expressar preferência pelo candidato ideologicamente mais próximo. No bloco de oposição, o eleitor de Alberto Neto complementa com Valério em 40% dos casos, erguendo um eixo de centro-direita a direita que se reforça mutuamente nas zonas urbanas. O problema para Valério é que Alberto Neto parte de um patamar numérico superior e captura a segunda vaga antes que o tucano consiga acumular volume competitivo. Valério precisa que Alberto Neto tropeça — e não há indícios, nos dados atuais, de que esse tropeço esteja no horizonte próximo.
O contexto que envolve esta disputa transcende a política regional. A corrida pelo Senado do Amazonas é um microcosmo da polarização que fraturou o Brasil na última década. De um lado, o campo progressista e a base de sustentação do presidente Lula buscam manter governabilidade e proteger o Estado Democrático de Direito. Do outro, o Partido Liberal, agremiação do ex-presidente Bolsonaro, orquestra uma manobra de saturação legislativa para eleger senadores suficientes para deter Propostas de Emenda à Constituição e viabilizar processos contra ministros do Supremo Tribunal Federal. As duas vagas do Amazonas não são meros assentos regionais — elas possuem poder de veto ou validação da agenda nacional que governará o Brasil entre 2027 e 2035. A escolha do eleitor amazonense ditará quem empunhará as armas legislativas para manutenção do equilíbrio entre os três poderes da República nas legislaturas vindouras.
O tabuleiro completo revela ainda a força gravitacional de Omar Aziz (PSD), que lidera com folga os cenários para o Governo do Estado, atingindo 40% a 43% das intenções de voto. A dobradinha "Aziz para Governador, Braga para o Senado" representa o eixo central do establishment estadual, atraindo empresariado e centro-esquerda simultaneamente. No outro extremo, o fenômeno Amom Mandel — deputado federal mais votado do estado, com mais de 288 mil votos, portador do espectro autista e campeão das redes sociais entre o eleitorado jovem — representa o fiel da balança digital que Alberto Neto, Valério e Ramos tentam capturar desesperadamente. O destino do eleitorado "amomista" — predominantemente urbano, nativo digital e avesso aos caciques tradicionais — pode determinar margens em uma eleição onde cada ponto percentual vale ouro.
Duas ressalvas de rigor metodológico, porque transparência não é opcional nesta redação. Primeira: a simulação utiliza distribuição normal com desvio-padrão de 3 pontos percentuais, compatível com a margem de erro média declarada pelos institutos. Alterações significativas no cenário político — escândalos, desistências adicionais, entrada de novos candidatos — podem deslocar as médias de base e gerar resultados diferentes. Segunda: a matriz de transferência dos votos de Wilson Lima é estimativa fundamentada em afinidade ideológica, sobreposição territorial e precedentes históricos, não em pesquisa de intenção de voto dos eleitores específicos de Lima. À medida que novos levantamentos capturarem o cenário pós-desistência, o modelo será atualizado com dados frescos.
O que esta modelagem entrega ao debate público amazonense é algo que os comentaristas de mesa de bar e os analistas de sofá não conseguem oferecer: quantificação rigorosa. Não se trata de dizer "fulano vai bem" ou "ciclano está forte". Trata-se de afirmar, com base em cem mil simulações matemáticas processadas em linguagem Python sob protocolo de governança cognitiva, que a probabilidade de Eduardo Braga ocupar uma das cadeiras é de 100%, que a de Alberto Neto é de 90,1%, que a de Valério é de 9,9% e que a de Ramos e Rotta é rigorosamente zero nos cenários atuais. Esses números podem mudar — e mudarão conforme a campanha avançar, os palanques se consolidarem, os escândalos eventualmente estourarem e o eleitor amadurecer suas preferências ao longo dos meses. Mas em março de 2026, com os dados disponíveis tratados com método estatístico que qualquer universidade reconhece, o retrato é esse. Retratos não mentem. Eles registram o instante exato em que foram capturados — e este instante coloca duas cadeiras com dono provável e três candidaturas sem passagem para Brasília.
Nota metodológica: Análise produzida com modelagem Monte Carlo em Python (100.000 simulações), alimentada por dados de RealTime1 (Mar/2026, 2.000 entrevistas), Census Consultoria (Mar/2026, margem 2,2%) e Real Time Big Data (Dez/2025–Mar/2026, 1.200 entrevistas). Ponderação por qualidade amostral. Margem de erro modelada: ±3 pp. Script disponível para auditoria.
Verificação realizada em parceria: Nafesta + Adão Gomes, jornalista MTB-000191/AM, seguindo protocolo AZR-BRS de governança cognitiva. Strategic Foresight & Cognitive Governance. Esta análise consultou 44 bases institucionais verificáveis. Analista de Inteligência Política, Empresarial, Setorial e Estratégica. MBA em IA para Organizações Contemporâneas — La Salle University. SNCPI — Sistema de Governança Cognitiva Ativo.Fundador do portal mais antigo do AM (desde 2000). Especialista em Análise de Risco Estratégico e Blindagem de Dados. Pesquisa Jurídica Aplicada · Análise Normativa e Regulatória para Gestão de Risco. 25 anos · +80.000 matérias, zero processos, textos de sua autoria com apoio de IA. "A tecnologia executa, o autor conduz." Protocolo AZR-BRS v2.0 AZR Híbrido. www.nafesta.com.br
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