
Manaus acordou nesta segunda-feira com o cheiro inconfundível de pólvora política misturado ao vapor do rio Negro. Não houve tiro — houve coisa pior. Em 72 horas, o MDB travou o trânsito do Parque 10 para absorver deputados federais de peso, o TCE congelou R$ 1,3 bilhão de um contrato educacional firmado por inexigibilidade, quatro institutos de pesquisa independentes convergiram em números que redesenham o cenário eleitoral de 2026, e a prefeitura de Manaus respondeu com um pacote de segurança pública que os portais locais classificaram como ofensiva de comunicação. Alguém em Manaus dormiu neste fim de semana. Mas não foi a política.
O movimento de maior brutalidade tática partiu do senador Eduardo Braga. Na quarta-feira, 4 de março, o MDB promoveu um ato de filiação que extrapolou qualquer cerimonial burocrático e virou demonstração pública de força bruta. O deputado federal Saullo Vianna — terceiro parlamentar amazonense mais votado em 2022, carregando R$ 267 milhões em emendas impositivas na bagagem — abandonou o União Brasil e assinou ficha na sede do partido no Parque 10, ao lado de Adail Filho, do ex-senador Arthur Virgílio Neto (que retorna ao MDB após 40 anos), da liderança indígena Vanda Witoto e do ex-prefeito Nathan Macena. A cúpula nacional desceu a Manaus: Baleia Rossi, Isnaldo Bulhões, Marcelo Castro. Omar Aziz, pré-candidato ao governo pelo PSD, estava lá, sorridente, chancelando a aliança. O trânsito da região travou. Não por acidente — por demonstração. A mensagem cifrada no congestionamento era translúcida: o MDB é, neste momento, a máquina eleitoral mais capilarizada e financeiramente irrigada do Amazonas, e quem não estiver dentro estará do lado de fora do jogo.
A filiação de Vianna não é um gesto simbólico. É uma declaração de guerra aritmética. O parlamentar sai da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania — desincompatibilizando-se na véspera, terça-feira, 3 de março, conforme manda a legislação eleitoral — e transfere para o MDB não apenas seu capital popular, mas o peso orçamentário de quem direciona centenas de milhões em emendas para o interior. Braga sabe que eleição no Amazonas se ganha na capilaridade ribeirinha, e cada prefeito presente naquele ato — foram cerca de 50 — é um multiplicador territorial que nenhum algoritmo de Instagram substitui.
Do outro lado da equação, o fim de semana trouxe números que os próprios veículos amazonenses trataram como marco. Segundo levantamento do Instituto Direto ao Ponto, com coleta entre o final de fevereiro e início de março e publicado pelo portal Rios de Notícias, a rejeição à gestão municipal de David Almeida atingiu 61%. Conforme o mesmo instituto, 36% classificam a administração como péssima e apenas 4% a consideram ótima. Os dados acompanham uma tendência já registrada por outros levantamentos: o Instituto Perspectiva aferiu 68% de rejeição em dezembro de 2025; o Atlas/Intel, 70% no mesmo período; e o Instituto Vérita, em janeiro de 2026, identificou 18,1% de aprovação. A convergência entre institutos distintos e independentes confere robustez estatística ao cenário descrito pela imprensa local.
Diante desse cenário, conforme registrado pelo portal da Prefeitura de Manaus e repercutido pelo A Crítica, o prefeito David Almeida anunciou no domingo, 8 de março, que o edital do concurso da Guarda Municipal será lançado no dia 23 de março, com 590 vagas. A gestão também inaugurou a maior base operacional da GMM na Zona Leste, empossou a primeira mulher no comando-geral da corporação e criou a Academia de Formação da Guarda Municipal da Amazônia. Colunistas e analistas dos portais Chumbo Grosso e BNC Amazonas interpretaram o pacote como uma tentativa de reposicionar a narrativa da gestão em torno da segurança pública — área que tradicionalmente mobiliza o eleitorado popular — num momento em que os indicadores de aprovação impõem desafios evidentes ao projeto de candidatura ao governo estadual.
Outro fato amplamente noticiado pelos portais A Crítica e Diário da Capital foi a ausência de David Almeida na abertura solene da Escola de Contas do TCE-AM, na quinta-feira 5 de março. A mesa de honra reuniu Wilson Lima, Omar Aziz, Roberto Cidade e o vice-governador Tadeu de Souza, com aula inaugural do ministro Mauro Campbell Marques (STJ/CNJ). Segundo o A Crítica, o prefeito foi formalmente convidado e delegou a representação ao secretário de Administração, Célio Bernardo Guedes. Os bastidores políticos, conforme as análises publicadas pelo Diário da Capital, interpretaram a ausência como indicativo de que o prefeito segue trajetória autônoma em relação ao bloco governista estadual. Enquanto isso, no mesmo levantamento do Direto ao Ponto, a Professora Maria do Carmo desponta como a pré-candidata com maior curva de crescimento percentual desde abril de 2025 — dado que o portal Rios de Notícias e o Chumbo Grosso destacaram como o fenômeno eleitoral mais relevante do período.
Mas o fim de semana reservou ainda uma bomba institucional que poucos conectaram ao tabuleiro eleitoral. O TCE-AM, por decisão monocrática exarada na quarta-feira 4 de março, suspendeu cautelarmente um contrato de R$ 1,3 bilhão firmado entre a Seduc e a Fundação de Desenvolvimento e Inovação Agro Socioambiental do Espírito Santo, a Fundagres. O objeto: sistema integrado de ensino para toda a rede pública estadual — plataforma digital, materiais didáticos, formação de professores. A modalidade escolhida pelo governo foi inexigibilidade de licitação, e o tribunal identificou que não houve comprovação de que os preços eram compatíveis com o mercado. A execução está congelada, os repasses bloqueados, e Andrea Lasmar e Arlete Mendonça têm 15 dias para se manifestar. E o silêncio do Palácio da Compensa sobre o assunto — nenhuma nota, nenhum parecer público justificando os preços — é tão eloquente quanto a decisão do tribunal.
Enquanto isso, Wilson Lima jogou no interior. Em Lábrea, nos 140 anos de emancipação do município, entregou 400 cartões do Auxílio Estadual, equipamentos agrícolas no valor de R$ 118 mil, absorventes do programa Dignidade Menstrual, Crédito Rosa para 28 empreendedoras e — o marco mais profundo — o documento que instaura a regularização fundiária urbana do município, viabilizado pela Lei Estadual nº 7.991 de dezembro de 2025. Parintins, Maués, Iranduba, Urucurituba e Itapiranga são as próximas. Quem acha que isso é assistencialismo de fim de semana não entende a gramática eleitoral amazônica: no interior, a presença física do governador com envelope na mão e trator na praça vale mais do que mil impressões algorítmicas.
O que este fim de semana revela não é apenas a movimentação de peças. Revela a lógica estrutural que governará o Amazonas até outubro de 2026: o eixo Aziz-Braga-Cidade-Wilson caminha consolidado, conforme registram os portais; o MDB absorve quadros de todos os espectros; David Almeida enfrenta, segundo os dados publicados por quatro institutos, o desafio mais severo de sua trajetória; Maria do Carmo ocupa o espaço da direita com crescimento consistente; e o TCE-AM demonstra que não subordinará sua agenda ao calendário eleitoral — mesmo com aperto de mãos nas solenidades da Escola de Contas. A pergunta que fica não é quem vai ganhar. É quem ainda tem margem para errar.
Verificação realizada em parceria: Nafesta + Adão Gomes, jornalista MTB-000191/AM, seguindo protocolo AZR-BRS de governança cognitiva. Strategic Foresight & Cognitive Governance. Esta análise consultou 44 bases institucionais verificáveis. Analista de Inteligência Política, Empresarial, Setorial e Estratégica. MBA em IA para Organizações Contemporâneas — La Salle University. SNCPI — Sistema de Governança Cognitiva Ativo.Fundador do portal mais antigo do AM (desde 2000). Especialista em Análise de Risco Estratégico e Blindagem de Dados. Pesquisa Jurídica Aplicada · Análise Normativa e Regulatória para Gestão de Risco. 25 anos · +80.000 matérias, zero processos, textos de sua autoria com apoio de IA. "A tecnologia executa, o autor conduz." Protocolo AZR-BRS v2.0 AZR Híbrido. www.nafesta.com.br
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