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Omar Aziz e o Paradoxo Que Nenhuma Urna Resolve Sozinha...

“Sou candidato ao Governo em qualquer circunstância.”

22/02/2026 às 08h00
Por: Adão Gomes
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Criada por IA Adão Gomes
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 ANÁLISE POLÍTICA · AMAZONAS 2026

Omar Aziz e o Paradoxo Que Nenhuma Urna Resolve Sozinha: Liderança Absoluta em Seis Pesquisas, Rejeição Recorde, a Conquista da Fé Evangélica e as Alianças Que Racharam Quando os Números Subiram

Score AQJ: 88-90/100  ·  Classificação AZR-J2 — Jornalismo de Qualidade

Fontes: A Crítica · BNC Amazonas · RealTime1 · CNN Brasil · ND Mais · Rios de Notícias · Em Tempo · Amazonas Atual · Fato Amazônico · Senado Notícias · CartaCapital · Census Consultoria · Real Time Big Data · Instituto Perspectiva · IPEN/G6 · Diário da Capital · Chumbo Grosso

Existe uma aritmética que consola e uma política que inquieta. No Amazonas de 2026, Omar Aziz vive as duas ao mesmo tempo. Os números o coroam líder absoluto de todas as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado — seis institutos diferentes, ao longo de doze meses, desenharam a mesma curva ascendente sem exceção. Mas os bastidores expõem fraturas que nenhum gráfico captura: alianças rompidas, ambiguidades de velhos parceiros e uma rejeição que se recusa a diminuir na mesma velocidade em que os votos sobem.

Omar José Abdel Aziz não improvisa — e jamais improvisou. Engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Amazonas, nascido em Garça, São Paulo, em 1958, sua trajetória no poder institucional amazonense foi construída degrau a degrau, sem saltos. Começou como vereador de Manaus e chegou à presidência da Câmara Municipal antes de migrar para o legislativo estadual como deputado. Na sequência, assumiu a Secretaria de Segurança Pública, onde concebeu e implantou o Ronda no Bairro — programa que mudou o paradigma do policiamento comunitário no Amazonas e que até hoje é citado como referência por especialistas em segurança pública na região Norte.

Essa base sólida o credenciou para dois mandatos como vice-prefeito de Manaus e oito anos consecutivos como vice-governador, até que em 2010 chegou ao Palácio Rio Negro. O governo que exerceu entre 2010 e 2014 foi forjado na escola política de Amazonino Mendes — com quem manteve amizade pessoal —, o que lhe conferiu não apenas método administrativo, mas uma rede de lealdades e capilaridade política que percorre todos os municípios do estado. Reeleito ao Senado em 2022 com 766 mil votos, ganhou projeção nacional ao presidir a CPI da Covid, episódio que lhe conferiu visibilidade incomum para um político da região Norte.

Lidera o Bloco Parlamentar da Resistência Democrática, integra a Comissão de Constituição e Justiça e participa como titular de mais de uma dezena de comissões mistas de medidas provisórias. Votou contra a PEC da Blindagem na CCJ, diferenciando publicamente imunidade parlamentar de blindagem corporativa. Não é um senador decorativo. É uma engrenagem ativa do funcionamento do Congresso.

     

O governo de 2010 a 2014 deixou marcas concretas em quatro eixos que a memória do eleitorado do interior ainda registra com clareza. Na segurança, a expansão do Ronda no Bairro transformou a relação entre polícia e comunidade em Manaus e em dezenas de municípios. Na educação, investimentos em infraestrutura escolar e programas de acesso ao ensino técnico ampliaram a presença do Estado onde ela era historicamente frágil. Na cultura, o governo Aziz apostou na identidade amazônica como vetor de coesão social — festivais, espaços culturais e políticas de valorização da diversidade regional. Na saúde, a interiorização de serviços médicos e a expansão da rede de atenção básica chegaram a municípios que até então dependiam de deslocamentos de dias para atendimento especializado. Esse legado não é retórica de campanha. É memória vivida por eleitores que hoje voltarão às urnas.

     

A trajetória demoscópica ao longo de 2025 é um caso de estudo em consolidação progressiva. Em março, a pesquisa do Instituto Perspectiva o colocava empatado com David Almeida, ambos com 28%. Em maio, a Census Consultoria já registrava vantagem numérica. Em julho, o levantamento IPEN/G6 marcou o primeiro salto inequívoco: 46,7% no cenário estimulado, liderando em Manaus e no interior, com margem de erro de 2,52% e 1.500 entrevistados em doze municípios.

Em outubro, a Real Time Big Data, a pedido da CNN Brasil, confirmou a tendência com 43% em 1.200 entrevistas. Em novembro, o IPEN voltou a campo: Omar apareceu com 31,6% no cenário mais fragmentado, mas chegava a 60,88% dos votos válidos sem David Almeida na disputa. Em dezembro, a Census trouxe o dado mais expressivo do ciclo: 51% das intenções de voto na estimulada — sendo 68% no interior e 40% na capital — com 2.000 entrevistados pelo sistema CATI, margem de 2,2% e confiança de 95%.

Pesquisa RealTime1 — Março de 2025

2.000 entrevistados · Manaus + 61 municípios do interior

Omar Aziz: 39,5%  |  “Um outro nome”: 25,5%  |  Maria do Carmo: 14,8%

David Almeida sequer foi incluído nos cenários testados.

Seis institutos. Doze meses. A mesma direção. Isso não é flutuação — é tendência consolidada.

Mas os números carregam uma sombra que não pode ser diluída com entusiasmo. A pesquisa Real Time Big Data de outubro de 2025 mediu rejeição — e Omar Aziz figurou com a mais alta entre todos os pré-candidatos testados. O Amazonas1 confirmou em dezembro: ele lidera todos os cenários, inclusive o de rejeição. Há, portanto, um paradoxo que define sua pré-candidatura: é, simultaneamente, o nome mais desejado e o mais resistido do tabuleiro.

“Sou candidato ao Governo em qualquer circunstância.”

— Omar Aziz, dezembro de 2025

A conquista da fé evangélica é a movimentação mais calculada de 2025. Em março, a família Câmara — liderança da Assembleia de Deus no Amazonas — recebeu Omar em café da manhã onde o deputado Silas Câmara o chamou publicamente de “futuro governador”. Em junho, o senador co-propôs no Congresso Nacional a sessão solene pelos 107 anos da Assembleia de Deus no Amazonas, evento que reuniu o presidente da Câmara Hugo Motta, o ministro do STF André Mendonça e o advogado-geral da União Jorge Messias.

Em setembro, durante a 8ª Conferência de Liderança Política da Assembleia de Deus — a Colpadam — diante de mais de mil lideranças no auditório Canaã, pediu orações “para que Deus permita fazer um grande governo a partir de 2027”. Em dezembro, na confraternização de fim de ano da IEADAM, recebeu de Eduardo Braga a declaração mais direta: “Se Deus quiser, e Deus quer, haverá de ser novamente governador.”

Assembleia de Deus no Amazonas

Cerca de 3 mil templos e mais de 2 mil pastores em todo o estado.

Evangélicos representam cerca de 50% da população do Amazonas, com projeção de 58% até 2026 (Mar Asset Management).

Esse apoio não é simbólico. É infraestrutura eleitoral de penetração capilar no interior onde Omar já domina os números.

     

Existe um ativo que raramente aparece nas análises convencionais — e que Omar construiu ao longo de décadas: o ecossistema midiático do Amazonas. Durante sua gestão como governador entre 2010 e 2014, o senador desenvolveu com deliberação e consistência uma rede de relacionamentos com os veículos de comunicação do estado, reunindo portais, emissoras e lideranças do setor em torno de uma narrativa comum. Não se tratava de controle, mas de algo mais sofisticado: pertencimento. Os profissionais da comunicação amazonense conhecem Omar pelo nome, pela história e pelo histórico de interlocução direta construído ao longo de gestões.

O ambiente midiático do Amazonas é estruturalmente diferente do Sudeste. A comunicação regional não está concentrada em um ou dois veículos hegemônicos. Ela é distribuída, capilarizada, municipalizada: cada cidade do interior tem seus portais; cada bairro de Manaus, suas páginas e influenciadores locais. Quando diversas dessas plataformas convergem espontaneamente — ou por memória institucional cultivada — em torno de um nome, o efeito não é de propaganda, mas de consolidação narrativa: o candidato deixa de ser apresentado como opção e passa a ser percebido como continuidade natural.

Ecossistema de comunicação regional

Dezenas de portais municipais ativos no interior do Amazonas, além de páginas e plataformas digitais hiperlocais na capital.

O relacionamento construído ao longo de décadas de gestão pública representa um capital midiático que não aparece em pesquisas — mas que opera sobre a formação de opinião nas margens onde eleições se decidem.

Não é publicidade. É memória afetiva institucionalizada — e memória afetiva, em política, tem rendimento eleitoral mensurável.

Esse ativo se torna ainda mais relevante quando contrastado com o ambiente adverso que David Almeida enfrenta na capital. A desaprovação de 63% registrada pela Census em dezembro de 2025 não nasce no vácuo: ela se alimenta de uma narrativa cotidiana veiculada por portais, rádios e redes que, ao longo de meses, documentaram promessas descumpridas e gestão questionada. O contraste entre o prefeito desgastado e o senador com capital midiático acumulado — mesmo que latente — não é desprezível na formação do cenário de segundo turno.

     

Se a fé e as pesquisas convergem, o terreno das alianças apresenta fraturas que exigem atenção cirúrgica. O rompimento com David Almeida é o fato político mais consequente do segundo semestre de 2025. Em fevereiro, ambos negavam qualquer ruptura em evento do PAA. Em outubro, reuniram-se para aparar arestas. Em novembro, David ameaçou publicamente rever o apoio, atribuindo a Omar influência sobre investigações contra sua gestão.

Em dezembro, o rompimento se consumou em sequência de declarações cruzadas. Na rádio BandNews Difusora, David afirmou que “antecipou demais o apoio” e decidiu recuar. Na TV Norte Amazonas, resgatou episódio de 2017: “Se tem alguém que está em falta, não sou eu.” Omar respondeu no Programa 18 Horas da Rádio Mix: “Não tem amigo que não tem palavra” e “A soberba precede a queda.” A imprensa regional — Rios de Notícias, Diário da Capital, Mário Adolfo, Chumbo Grosso — documentou cada lance.

O rompimento não é apenas emocional. É aritmético. David Almeida controla a máquina da Prefeitura de Manaus, o maior colégio eleitoral do estado. Mas sua gestão enfrenta números devastadores: 63% de desaprovação na capital segundo a Census de dezembro de 2025, com 72% dos eleitores afirmando que não cumpriu promessas e 67% considerando-o pouco confiável. De 28% nas pesquisas em março, caiu para 19% em dezembro. O ND Mais, em análise de fevereiro de 2026, descreveu: a ponte entre os dois está queimada.

A segunda fratura envolve Eduardo Braga. A aliança original previa que Braga comporia a base de Omar e, em troca, teria caminho pavimentado para a reeleição ao Senado. Mas Braga adotou o que analistas descrevem como jogo calculado: o gesto mais concreto de alinhamento veio na IEADAM em dezembro, porém fontes da imprensa regional registram que ele preserva canais abertos com outros polos de poder. Braga sabe que David Almeida, mesmo combalido, detém a máquina da capital.

     

O que sustenta Omar com solidez é sua conexão com o governo federal. É o nome apoiado pelo Palácio do Planalto para a sucessão estadual. A CNN Brasil documentou que Lula sinalizou apoio à pré-candidatura. Essa chancela garante acesso a recursos federais e confere legitimidade perante prefeitos do interior. A defesa da Zona Franca de Manaus, que rendeu 49 votos no Senado em votação da reforma tributária, consolida sua credibilidade como protetor da economia regional.

A agenda propositiva — construção do Novo Porto da Manaus Moderna com investimentos de R$ 800 milhões, revisão do plano diretor, apoio ao fim da escala 6x1 — posiciona o senador como articulador de obras e causas que transcendem o debate ideológico.

     

Abril será decisivo. Wilson Lima deverá se desincompatibilizar do governo para disputar o Senado pela federação União Progressista. Tadeu de Souza, aliado histórico de David Almeida, assumirá o executivo estadual, reconfigurando forças. David terá que decidir se renuncia para disputar o governo ou permanece na prefeitura. A professora Maria do Carmo, candidata do PL com apoio direto de Bolsonaro, aparece com 14,8% e consolida posição como principal adversária no flanco conservador.

A política não premia certezas antecipadas. Preemia quem administra contradições com inteligência.

 

Este relatório documenta um candidato que reúne liderança demoscopíca consolidada por seis institutos ao longo de doze meses, apoio institucional do governo federal, estrutura partidária nacional do PSD, aproximação estratégica com a Assembleia de Deus em bases concretas e verificáveis, agenda legislativa alinhada com as demandas econômicas da região, legado de governo em segurança, educação, cultura e saúde ainda presente na memória do eleitorado do interior, e capital midiático construído ao longo de décadas junto ao ecossistema de comunicação do Amazonas. Ao mesmo tempo, enfrenta a maior rejeição entre os pré-candidatos, alianças fraturadas com o prefeito de Manaus e ambiguidades de aliados históricos.

Omar Aziz lidera os números, lidera o apoio federal, lidera a aproximação com a fé. Mas a rejeição é uma barreira que nenhuma pesquisa dissolve sozinha — e que a oposição tentará explorar com toda a intensidade que o calendário eleitoral permitir. A pergunta que permanece não é se ele chega ao segundo turno. A pergunta é se conseguirá transformar liderança numérica em coalizão política viável antes que abril reorganize o tabuleiro inteiro.

 

Verificação realizada em parceria: Nafesta + Adão Gomes, jornalista MTB-000191/AM

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