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A Grande Muvuca — Crônica de uma Selva Política (Quando Até Boi Voa)

E do outro lado do tabuleiro, fazendo mais barulho que motor de rabeta subindo cachoeira, está o prefeito *David Almeida*. O David — ah, o David! — está naquela fase que todo prefeito ambicioso conhece: a fase da muvuca total.

12/02/2026 às 06h00
Por: Adão Gomes
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Criada por IA Adão Gomes
Criada por IA Adão Gomes

CRÔNICA DA SEMANA

A Grande Muvuca — Crônica de uma Selva Política (Quando Até Boi Voa)

Por Adão Gomes — www.nafesta.com.br

Dizem que na Amazônia, quando o rio baixa, os bichos se encontram nos mesmos poços d'água. Não importa se são onça, jacaré ou capivara — a sede é democrática. E na seca política de 2026, o poço d'água se chama Palácio Rio Negro. Só que dessa vez, até boi está voando.

Sim, meu caro leitor. Boi voa. Tucano muda de galho. Cobra troca de pele. E político troca de palanque com a naturalidade de quem troca de camisa no calor de Manaus. Bem-vindo à temporada eleitoral do Amazonas, onde não existe almoço grátis, mas todo mundo jura que está pagando a conta.

 O Sogro, o Genro e o Palácio

Primeiro, temos o veterano *Gedeão*, político das antigas, daqueles que já viram mais águas turvas que boto cor-de-rosa no rio Negro. Ex-secretário de Educação do Amazonas, o homem é da velha guarda, daqueles que aprenderam a política quando WhatsApp era bilhete dobrado passado por debaixo da carteira. Enquanto os novatos fazem live no Instagram, Gedeão faz articulação no cafezinho — e quem entende de política sabe que é no cafezinho que se decide o destino das nações. Ou pelo menos dos cargos.

Pois bem: a fonte — aquela que não seca nem na estiagem mais braba, aquele fofoqueiro de primeira que tem ouvido em todas as paredes do Centro Administrativo — garante que quando Wilson Lima fizer as malas, quem vai sentar na cadeira da Educação é o próprio Gedeão. O retorno do filho pródigo. Ou seria do sogro estratégico?

Porque aí, meu caro leitor, entra o detalhe que faz dessa história uma obra-prima do parentesco amazônico: a filha do Gedeão é casada com ninguém menos que o vice-governador *Tadeu*. Isso mesmo. Aquele Tadeu. O vice que, pela aritmética constitucional — que em Manaus funciona melhor que calculadora de camelô — se Wilson sai, ele entra. E se ele entra, entra como governador. E se entra como governador... ora, ora, ora — vira pré-candidato automático. O sogro na Educação, o genro no Palácio. É o que os especialistas em ciência política chamariam de "sinergia familiar". Nós, amazônidas, chamamos de "arrumação de primeira".

Quem não tem padrinho morre pagão, dizem os sábios da política. E o Tadeu, convenhamos, tem sogro, padrinho, madrinha e até cartório pronto.

O Prefeito-Furacão

E do outro lado do tabuleiro, fazendo mais barulho que motor de rabeta subindo cachoeira, está o prefeito *David Almeida*. O David — ah, o David! — está naquela fase que todo prefeito ambicioso conhece: a fase da muvuca total. É inauguração aqui, anúncio ali, selfie acolá, obra lá onde ninguém pediu. O homem faz ponte onde não tem rio e promete rio onde não tem água. Cada semana um projeto novo, cada dia uma declaração mais ousada que a anterior.

David se movimenta como aquele vendedor de açaí que aparece em toda esquina de Manaus: você não sabe de onde ele veio, não sabe como chegou tão rápido, mas ele já está lá, sorrindo, oferecendo o produto e jurando que o dele é o mais grosso da cidade. Faz campanha sem dizer que faz campanha. Abraça criança, beija velho, posa com cachorro, corta fita, planta árvore — e se deixar, batiza navio.

Os fofoqueiros do Largo de São Sebastião — e olha que fofoqueiro em Manaus não falta, é mais abundante que pirarara no Encontro das Águas — dizem que David já montou um mapa de guerra digno de general. Porque em política, quem não se mexe vira estátua. E estátua em Manaus, com esse calor, só serve pra pomba descansar.

 O Senador e o Terçado

Mas calma que a novela tem mais capítulo. Porque nessa disputa ainda tem que caber o senador *Omar*, que olha para o governo do estado como quem olha para o prato de tambaqui que alguém tirou da sua mesa sem pedir licença. Omar não é homem de ficar quieto. Omar é do tipo que entra na festa sem ser convidado, senta na cabeceira e ainda pede a conta dos outros.

Na selva política amazonense, quando Omar se movimenta, até os peixes ficam nervosos. Os jacarés se escondem. As piranhas pedem tempo. E os papagaios — ah, os papagaios de plantão, aqueles que repetem tudo que ouvem nos corredores da Assembleia — ficam sem saber pra que lado gritar. É Omar! É Tadeu! É David! É todo mundo junto e misturado, como panelada de campanha.

A Bicharada Nervosa

E não pense que são só os protagonistas que estão em polvorosa. A bicharada política inteira está em estado de alerta vermelho.

Tem *secretário* que já não dorme direito, olhando pro teto às três da manhã tentando adivinhar em que time vai jogar depois da dança das cadeiras. Tem *vereador* fazendo conta de padaria pra saber se o voto dele vale mais com o David ou contra o David. Tem *deputado estadual* que ligou pra mãe pedindo conselho — e a mãe mandou ele trocar de partido.

Tem *reitora desesperada* que vê o chão político tremer debaixo dos pés e não sabe se sorri pra foto ou se atualiza o currículo Lattes. Porque quando a política muda de dono, a primeira coisa que muda é o organograma — e quem estava sentado confortável descobre que a cadeira tinha rodinha.

Tem *assessor* nervoso atualizando LinkedIn às escondidas. Tem *empresário* que já jantou com todos os lados e agora não sabe pra quem mandar o presente de Natal. Tem *líder comunitário* que prometeu voto pra três candidatos diferentes e está rezando pra nenhum dos três ganhar, porque aí ninguém cobra.

E tem os *fofoqueiros profissionais* — esses estão no paraíso. Nunca se produziu tanta informação privilegiada por metro quadrado em Manaus. Cada cafezinho é uma central de inteligência. Cada corredor de repartição é uma agência de notícias. Cada mesa de bar no Vieiralves é um Senado paralelo onde se decide o futuro do estado entre uma cerveja e um espetinho.

O Xadrez da Selva

Então temos o cenário completo, meu amigo leitor: Gedeão voltando à Educação como quem planta bandeira em terra conquistada — o velho lobo que nunca saiu da floresta, só estava esperando na moita. Tadeu herdando o governo como quem herda sítio do sogro — com escritura, cerca e gado. David fazendo mais barulho que boi no curral em dia de vacinação, construindo ponte onde não tem rio e prometendo asfalto onde só tem igarapé. E Omar, lá no canto, afiando o terçado em silêncio, com aquele sorriso de jacaré que já viu muita canoa virar.

Cada um jura que está pensando no povo. Cada um garante que não tem ambição. Cada um diz que está "à disposição caso o partido peça". E a gente que é da selva sabe: quando político diz que não quer, é porque já encomendou o material de campanha.

 O Povo no Meio da Muvuca

E o povo? Ah, o povo assiste de camarote — que no Amazonas é a rede armada na varanda com o rádio ligado. O povo já viu esse filme antes. Sabe que promessa de político é que nem previsão de chuva em Manaus: todo dia tem, mas nunca cai na hora certa.

O manauara olha essa muvuca toda, toma seu tacacá, balança a cabeça e diz aquela frase que resume dois séculos de sabedoria amazônica: "Deixa, que no fim todo mundo se ajeita."

E se ajeita mesmo. Porque na política do Amazonas, quem hoje é inimigo mortal amanhã é aliado de chapa. Quem hoje jura que nunca, amanhã assina a ficha. E quem hoje faz cara de quem não quer nada, amanhã está no palanque gritando o nome do adversário como se fosse irmão de sangue.

A eleição de 2026 no Amazonas ainda nem começou oficialmente, mas já tem mais enredo que novela mexicana com reprise, mais reviravolta que cobra jiboia no galho, mais personagem que festa de boi em Parintins, e mais fofoca que grupo de WhatsApp de condomínio.

O boi vai voar. O tucano vai trocar de galho. A cobra vai trocar de pele. E o povo — como sempre — vai ficar esperando pra ver quem sobra de pé quando a música parar.

Porque na Amazônia, como dizia minha avó, "rio que corre manso é o que tem mais piranha no fundo".

E esse rio, meu amigo leitor, está manso demais.

Suspeitosamente manso.

 

Verificação realizada em parceria: Nafesta + Adão Gomes, jornalista MTB-000191/AM, seguindo protocolo AZR-BRS 1.00 de governança cognitiva. Strategic Foresight & Cognitive Governance.

www.nafesta.com.br

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