
"KAGAM" E ANDAM: O CLUBE DOS QUE DESPREZAM QUEM FAZ, MAS DEPENDEM DE QUEM SABE
O Grande Dossiê da Desconexão Política no Amazonas – Ciclo 2022-2025
(Porque, no Amazonas, técnico bom é aquele que cala, assina embaixo e ainda agradece o tapinha nas costas — até a urna ou a crise provar, mais uma vez, que o único 'alarmismo' era ignorar a realidade.)
Anatomia de um estado. A verdade nua e crua. Adão Gomes.
NOTA METODOLÓGICA
Este editorial baseia-se em análise documental de 97 fontes consultadas entre novembro-dezembro/2025, incluindo:
• 9 pesquisas eleitorais registradas no TSE (ciclo 2022)
• 23 fontes oficiais (TSE, Senado Federal, Agência Brasil)
• 31 reportagens de veículos nacionais e regionais (CNN Brasil, Veja, Folha, Estadão, Jota, Valor Econômico)
• 18 estudos acadêmicos sobre comunicação política (SciELO, periódicos universitários)
• 16 vídeos institucionais (TV Senado, entrevistas coletivas, programas eleitorais)
Documento técnico completo com 14.5+ palavras, tabelas comparativas e referências rastreáveis disponível mediante solicitação formal: [email protected]
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Em setembro de 2022, o governador Wilson Lima registrava 51% de desaprovação em Manaus, segundo o Instituto Real Time Big Data¹. Dois meses depois, ele seria reeleito com 56,98% dos votos válidos no estado⁴. Essa inversão matemática — que contraria décadas de ciência política eleitoral — não foi sorte. Foi engenharia. E o Amazonas, entre 2022 e 2025, tornou-se um laboratório vivo de como a técnica política, quando ouvida, vence a rejeição. E de como, quando ignorada, condena projetos de poder à irrelevância.
O Amazonas não é um laboratório social; é um cemitério de teses acadêmicas e um palco onde a lógica cartesiana frequentemente morre afogada na complexidade hidrográfica da nossa política. Aqui, entre os anos de 2022 e 2025, as regras clássicas da ciência política não foram apenas quebradas; elas foram reescritas, rasgadas, queimadas e coladas de volta de uma forma irreconhecível para quem observa de fora. Vivemos um período de suspensão da gravidade política. Testemunhamos um governador com rejeição consolidada de 51% na capital, em setembro de 2022, ser reeleito com 56,98% dos votos válidos em 30 de outubro. Vimos um senador que saiu derrotado das urnas estaduais se reinventar como o "Primeiro Ministro" de fato da economia nacional, ditando o destino de 4,3 milhões de amazonenses(previsão 2025) através da Reforma Tributária, sem precisar pedir um único voto no beiradão.
Mas o verdadeiro fenômeno não são os protagonistas visíveis; são os bastidores invisíveis. Aqui, profissionais de pesquisa, planejamento estratégico, jornalistas especializados e comunicação política – amazonenses, formados na UFAM ou não, com décadas de estrada e conhecimento empírico do território – viram seus relatórios técnicos serem triturados. Documentos construídos com metodologia rigorosa foram desqualificados como "pessimismo", "teoria acadêmica" ou ridicularizados em mesas de assessoria repletas de importados ou de bajuladores locais e claro, qualquer tipo de "PARLAMENTAR". Este texto possui a extensão necessária para dissecar não apenas o que aconteceu, mas como aconteceu e acontece até o aqui e o agora. É um depoimento coletivo da trincheira. É uma autópsia do método político amazonense, onde o clube do "Kagam e Andam" — aqueles que ignoram a técnica e seguem a intuição de gabinete, junto com eles: os parlamentares — impera, até que a realidade arrombe a porta.
CAPÍTULO 1: A ARQUITETURA DO IMPOSSÍVEL – O CASO WILSON LIMA
A Rejeição como Combustível e a Máquina como Motor
A reeleição de Wilson Lima constitui um estudo de caso que deveria ser obrigatório em qualquer curso de Ciência Política na Amazônia. A narrativa predominante em Manaus, no início de 2022, era matemática: "Gestão da Pandemia + Crise do Oxigênio + CPI = Derrota Inevitável". Essa era a lógica linear da classe média e da oposição. O erro fatal foi esquecer que o Amazonas não opera em linha reta e que a memória do eleitor compete diariamente com a sua fome.
Os trackers (monitoramentos contínuos) realizados por institutos sérios entre março e julho de 2022 entregavam relatórios precisos e aterrorizantes para o governo: a rejeição na capital era proibitiva, o recall negativo era altíssimo e a sensação de desgoverno na saúde era palpável. No entanto, esses relatórios falhavam em capturar a "alma" e a "matemática" do interior profundo.
Enquanto Manaus fervia com a memória do colapso sanitário e com uma cobertura midiática crítica, o interior ribeirinho operava em outra frequência. A máquina estadual, com uma capilaridade logística que nenhum adversário possuía, funcionou não apenas como governo, mas como um grande provedor de sobrevivência. O Auxílio Estadual Permanente não foi apenas uma política pública de transferência de renda; foi a maior ferramenta de fidelização de voto da história recente do estado, superando até os tempos áureos do "Amazoninismo".
Em municípios onde a economia gira exclusivamente em torno da prefeitura e da aposentadoria rural, a injeção direta de renda pelo Estado criou um colchão de gratidão — ou de dependência — que blindou o governador das críticas morais vindas da capital. A estratégia do governo ignorou os alertas de rejeição da capital porque sabia, através de um cálculo cínico porém correto, que a votação maciça no interior compensaria a perda na metrópole.
A genialidade tática da campanha (ou a sorte pragmática de quem tinha a caneta na mão) foi a apropriação seletiva da realidade. O famoso "75% de aprovação" veiculado na TV⁵, citando institutos nacionais como o Ipec, não era uma mentira, mas era uma meia-verdade estatística: um recorte cirúrgico de municípios beneficiados por obras de asfalto e iluminação, usado para criar uma "onda de vitória" (o efeito bandwagon) que contaminou até o eleitor crítico de Manaus. Criou-se a sensação de inevitabilidade. E no Amazonas, o eleitor não gosta de perder seu voto; ele tende a migrar para quem demonstra força. Wilson Lima provou que, com a máquina na mão, rejeição não é sentença de morte; é apenas um obstáculo logístico a ser contornado com volume de recursos.
CAPÍTULO 2: A REINVENÇÃO PELO ALTO – O BÚNQUER DE EDUARDO BRAGA
Quando Perder a Eleição é o Atalho para Ganhar o Poder
Se Wilson Lima venceu pela força bruta da máquina no território, Eduardo Braga sobreviveu e cresceu pela sofisticação técnica em Brasília. A sua trajetória pós-derrota em 2022 é um masterclass de como o poder legislativo, quando operado com inteligência fria, pode suplantar a falta de carisma ou de voto popular imediato.
Braga entendeu, talvez antes de qualquer outro político local, que a Reforma Tributária (PEC 45/2019) seria o novo campo de batalha onde governadores e prefeitos teriam que vir, de pires na mão, negociar a sobrevivência de seus estados. Ao assumir a relatoria no Senado⁸, ele não assumiu apenas um texto árido; assumiu a chave do cofre futuro da nação.
Sua atuação é a antítese do populismo digital. Braga não faz vídeos engraçados para o TikTok; ele faz emendas supressivas que salvam ou condenam setores inteiros da economia. Ele se cercou de uma elite técnica – consultores legislativos do Senado, tributaristas de renome, ex-secretários da Fazenda. Ele blindou seu mandato com uma "armadura tecnocrática". Quando um crítico o ataca politicamente, ele responde tecnicamente, citando alíquotas, fundos de compensação (FNDR) e regras de transição do IBS e CBS.
Isso gerou uma dependência sistêmica no Amazonas. Hoje, o empresariado do Polo Industrial de Manaus (PIM), mesmo aqueles que torcem o nariz para sua figura política histórica, são obrigados a reconhecer que, sem a "caneta do Braga", a Zona Franca de Manaus já teria sido engolida pelo lobby voraz do Sul e Sudeste. Ele se tornou o "mal necessário", o "adulto na sala".
Braga opera uma política de "Cúpula de Ferro": eleitoralmente, ele pode ser vulnerável no bairro da Compensa ou no Jorge Teixeira; mas institucionalmente, em Brasília, ele é inexpugnável. Sua relevância não deriva mais do voto popular direto, mas da dependência que o sistema político e econômico tem de sua capacidade de destravar nós górdios. Ele transformou o conhecimento do regimento e da técnica legislativa em moeda de troca política, provando que é possível desprezar o palco, desde que se seja o dono da cortina.
CAPÍTULO 3: A PATOLOGIA DE "KAGAM E ANDAM" – A DOENÇA DAS ASSESSORIAS
O Mecanismo de Isolamento do Decisor Político
Aqui entramos no coração da disfunção política do Amazonas. Entre o pragmatismo de Lima e a tecnocracia de Braga, existe um vácuo preenchido por uma casta perigosa: os assessores, marqueteiros e estrategistas que compõem o clube do "Kagam e Andam". Eles cagam para a técnica e andam para a realidade.
O roteiro dessa patologia é conhecido e se repete em prefeituras, gabinetes legislativos e palácios governamentais:
**1. O Diagnóstico Duro:** O pesquisador ou técnico local entrega um diagnóstico realista e muitas vezes amargo: rejeição alta, inconsistência na narrativa, fragilidade em determinado segmento, erro jurídico na peça, inviabilidade econômica do projeto.

**2. O Filtro da Lisonja:** O assessor de confiança, movido por lealdade mal compreendida, medo de perder o acesso ao "chefe" ou puro viés de confirmação, filtra a informação. Ele leva ao decisor apenas os dados positivos, ameniza os negativos ou, em casos extremos, ridiculariza o relatório técnico. "Isso é coisa de acadêmico", "Pesquisa furada", "O povo está contigo, governador".
**3. O Isolamento na Câmara de Eco:** O decisor (candidato, parlamentar, gestor), isolado nessa bolha de realidade fabricada, passa a descreditar o mensageiro. O profissional que apresenta a informação incômoda é taxado de "pessimista", "teórico" ou "alarmista". Seu relatório é arquivado; seu WhatsApp é silenciado.
**4. O Choque de Realidade:** Quando a realidade externa – geralmente a urna ou uma crise institucional – confirma o diagnóstico inicial, o mesmo profissional técnico é resgatado às pressas e tratado como "gênio", cobrado por soluções mágicas para ontem.
Essa dinâmica perversa tem um custo financeiro e social altíssimo. Milhões de reais em recursos públicos e partidários são incinerados em campanhas que não conversam com ninguém, em obras que não geram dividendo político, em comunicações que viram piada na internet. O "Clube Kagam e Andam" opera no "feeling", no "cheiro", na "experiência de 30 anos atrás". O problema é que, no século XXI, com um eleitorado hiperconectado, volátil e zangado, "feeling" sem dados é suicídio. E quem paga a conta desse suicídio é o projeto político e, em última instância, a população que fica com a má gestão.
CAPÍTULO 4: O HORIZONTE DE 2026 E A VINGANÇA DOS NÚMEROS
Por Que o Amazonas Precisa Desesperadamente de Intelectualidade Operativa
Estamos nos aproximando do ciclo eleitoral de 2026. O cenário é de terra arrasada em termos de renovação de lideranças e de propostas estruturantes. A polarização nacional continuará ditando o ritmo das paixões, mas as questões locais — a seca histórica dos rios, o isolamento logístico da BR-319, o futuro incerto da ZFM pós-reforma — exigirão muito mais do que slogans vazios ou dancinhas no Instagram.
O Amazonas precisa urgentemente reabilitar sua classe técnica. Não precisamos de "gurus" vindos do Sul para nos ensinar como falar com o caboclo, cobrando fortunas para dizer o óbvio. Precisamos ouvir os nossos estatísticos, os nossos sociólogos, os nossos advogados eleitorais, os nossos economistas e planners que conhecem a diferença abissal entre o voto da Zona Leste de Manaus e o voto de Eirunepé.
A desconexão atual é insustentável a longo prazo. O modelo de Wilson Lima (máquina total) tem prazo de validade financeiro; a conta um dia chega, e o cofre não é infinito. O modelo de Braga (bunker técnico em Brasília) tem teto de vidro eleitoral; é difícil transferir prestígio do Senado para votos na urna estadual sem empatia.
O caminho do meio exige **Humildade Cognitiva:** a capacidade rara do líder político de sentar à mesa, olhar para um gráfico de rejeição vermelho sangue e dizer: "Onde estamos errando?", em vez de demitir quem fez o gráfico. Exige entender que o técnico que aponta o buraco no casco do navio não é um inimigo, mas o único amigo verdadeiro no meio de um mar de bajuladores que dizem que o navio é inafundável.
CONCLUSÃO: OS FURADORES DE BOLHA
O título deste editorial é uma provocação, mas também um aviso solene. Aqueles que "Kagam e Andam" para a técnica, para o planejamento estratégico e para a verdade inconveniente dos dados, eventualmente escorregam na própria arrogância. A história política do Amazonas está repleta de cadáveres políticos de gigantes que achavam que sabiam mais do que a realidade.
Para 2026 e além, o futuro pertencerá aos "Furadores de Bolha". Pertencerá aos líderes (e às equipes) que tiverem a coragem intelectual de furar suas próprias câmaras de eco, de ouvir (repito:ouvir)o técnico antes de ridicularizá-lo, de utilizar a complexidade técnica não como escudo contra a opinião pública, mas como ferramenta para uma entrega mais efetiva.
Porque, no final das contas, a urna é um termômetro implacável e frio. Ela não perdoa bolhas. Não perdoa arrogância. E, definitivamente, ela cobra com juros e correção monetária de quem escolhe viver na ilusão criada por assessores despreparados.

Aos profissionais técnicos que foram silenciados e que também silenciam quem tenta chegar até o parlamentar, aos humilhados, ignorados ou ridicularizados neste ciclo: continuem medindo, continuem escrevendo, continuem analisando. A política é cíclica como as águas do Rio Negro. Quando a cheia da crise vier — e ela sempre vem —, é no terreno firme do conhecimento técnico, e não na areia movediça da bajulação, que o poder buscará refúgio para sobreviver.
RODAPÉ EDITORIAL
Autoria: Adão Gomes - MTB-AM 000191
CEO nafesta.com.br | 19.000+ matérias publicadas | 40+ anos de jornalismo
Protocolo Editorial: AZR-BRS 1.00 (Absolute Zero Risk - Brazilian Regional Standards)
Validação Cruzada: Grok • Claude • Gemini • Perplexity • DeepSeek V3.2+
Revisão Humana Final: 06.12.2025
Base Documental: 97 fontes rastreáveis (oficiais, jornalísticas, acadêmicas)
Documento técnico completo disponível mediante solicitação formal
Direito de Resposta: Garantido com publicação integral e destaque equivalente
Contato: [email protected] | Data de Publicação: 07.12.2025
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NOTA DE CONTEXTUALIZAÇÃO NACIONAL
Embora este editorial analise especificamente a dinâmica política do Amazonas no ciclo 2022-2025, os padrões aqui identificados – o isolamento de decisores políticos em câmaras de eco, o desprezo sistemático pela inteligência técnica local, a substituição de dados por "feeling" de gabinete, e a dependência tardia dos mesmos profissionais antes ridicularizados – são estruturalmente replicáveis em diversos estados brasileiros. A patologia do "Kagam e Andam" não é exclusividade amazônica; é uma doença sistêmica da política nacional, manifestada com variações regionais mas idêntica em sua essência destrutiva. Este texto serve, portanto, como espelho diagnóstico para qualquer unidade federativa que reconheça em si os sintomas aqui descritos.
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