
De Encontro no Palácio a Chapa com a Filha: Almeida Reafirma Apoio a Aziz, Mas Impõe Condições Secretas – Dívidas de R$ 310 Mi e o Xadrez de 2026 Deixam Todos com a Pulga Atrás da Orelha no Amazonas
Adão Gomes
Imagine o sol impactante ainda ecoando no Palácio Rio Negro, onde horas antes David Almeida apertava a mão de Tadeu de Souza, trocando pastas sobre SAMU e Passe Livre sob o véu de uma cooperação que cheirava a acerto maior – aqueles R$ 310 milhões em dívidas judiciais pairando como nuvens sobre o encontro de 13 de novembro de 2025.
Mas o dia não terminou ali; avançou para a manhã seguinte, ou talvez o mesmo ciclo febril da política amazônica, quando o prefeito, em um bate-papo casual com jornalistas, solta a bomba que ninguém esperava tão crua: sua filha, Aryel Almeida, presidente nacional do Avante Jovem, é o nome definitivo para vice na chapa de Omar Aziz ao governo do Amazonas em 2026. "Ela é nosso nome, até para que eu não possa mais deixar [a prefeitura]", diz ele, com o tom de quem tranca portas que outrora se entreabria para ambições pessoais, ecoando as pesquisas de maio que o empatavam com Omar a 28% nas intenções de voto em Manaus.
Não é um anúncio isolado; é o eco do que veio fermentando desde abril, quando David pela primeira vez ventilou Aryel como coringa, e agosto, quando a confirmou em entrevistas que lotaram as redes, mas aqui, nesta quinta-feira, ganha o peso de uma reafirmação cirúrgica, atada ao apoio explícito de Tadeu de Souza – o vice-governador que, naquela mesma tarde anterior, sentara à mesa com ele –, do vice-prefeito Renato Júnior e, claro, do próprio Omar, que já tecera elogios públicos à moça como se preparasse o terreno para um ensaio de setembro, quando pai, filha e senador posaram juntos pela primeira vez. "Então está definido. É ela. Ela é o nome que tem o apoio do Tadeu, que é o vice-governador, do prefeito, e do vice-prefeito. E do Omar", martela David, enquanto o vídeo da declaração – capturado em um estúdio simples, com ele inclinado sobre o microfone, gesticulando como quem fecha um pacto invisível – circula pelas timelines, deixando os olhares grudados em cada pausa, cada "e tudo mais" que soa como reticência.
Mas o xadrez não para; avança com uma torção que bagunça as peças. David reafirma o apoio a Omar, sim, mas avisa: "Eu continuo aliado deles, né? Só que existe momento em que você tem que reagir, senão teu apoio não vale nada. 'Ah, eu já tenho o apoio dele', então você tem que reagir. Eu vou bolar agora algumas condições". Condições? As palavras pairam no ar úmido de Manaus como fumaça de cigarro – ele não revela quais, mas o timing grita: logo após o encontro com Tadeu, com as dívidas de R$ 250 milhões no SAMU e R$ 60 milhões no passe estudantil ainda fervendo nos tribunais desde fevereiro, e Wilson Lima, chefe de Tadeu, já tendo traído a aliança municipal em 2024 ao bancar o adversário de David nas urnas. Seria isso o preço pelo enterro das ações judiciais? Um escudo para que Aryel, a herdeira de 28 anos com currículo de médica e militante jovem, herde não só o sobrenome, mas o controle da máquina municipal sem que o pai precise pular para o governo, arriscando sua rejeição de 32% contra os 28% de Omar nas sondagens que oscilam como o rio Negro?
Pense no movimento: Tadeu, o ex-chefe da Casa Civil de David em 2021, indicado pelo prefeito para a chapa de Lima em 2022 e agora "maltratado" pela gestão atual – lembre o episódio do camarote sumido em Parintins, em julho –, surge como fiador dessa chapa, talvez sonhando com a interinidade se Lima saltar para o Senado, onde patina atrás de Braga (43%) e Alberto Neto (37%). Omar, que em fevereiro jurou que "não adianta fazer intriga entre eu e o David", agora engole a vice-filha como parte do pacote, mas e se as condições de David envolverem mais do que lealdade? Um acordo que neutralize as pressões judiciais, libere recursos para a campanha e, quem sabe, abra brechas para que o prefeito teste águas próprias até março de 2026, o prazo da desincompatibilização? As pesquisas trimestrais, de abril a outubro, mostram o equilíbrio precário, com David sonhando alto apesar da CNN de janeiro o pintando como o prefeito que "não esconde o desejo de ser governador", contradizendo promessas antigas.
Aqui, no tabuleiro onde Manaus dita 55% do eleitorado estadual, cada gesto arrasta todos: Aryel emerge não como novata, mas como ponte – jovem, carismática, com aparições que já ensaiam o palanque –, enquanto Tadeu ganha relevo como o elo que une o rompido ao aliado, e Omar, o beneficiário aparente, deve engolir as condições sem piscar, ou arriscar o "fogo-amigo" que David ameaça revisitar. O status quo instável, o mais provável, ganha nova camada: dívidas como pressão eterna, anúncio como âncora para a família no poder, mas com "algumas condições" pairando como o que não foi dito off the record no Palácio. Cenário de acordo tático? As ações judiciais somem em 60 dias, Aryel herda o futuro, e todos saem vitoriosos no papel. Ruptura? David usa a vice-filha como disfarce para uma candidatura própria, traindo o empate das urnas com custo na rejeição. Ou o limbo, com Omar monitorando cada elogio à moça, Tadeu tramando independência em 120 dias, e as convenções de agosto de 2026 decidindo se essa chapa é união ou armadilha.
No vídeo que roda agora, David gesticula com o peso de quem sabe: o apoio vale enquanto reage, e reagir significa mover as peças antes que o outro o faça. As dívidas seguem nos autos, as pesquisas pulsam incertas, e o Amazonas, com seu calor que não perdoa, assiste ao reencontro do patrono com o protegido – agora estendido à herdeira – questionando se isso enterra os R$ 310 milhões ou os multiplica em fichas para um jogo maior. Dezembro testa os tribunais, fevereiro as chaves judiciais, março o veredito das desincompatibilizações. No fim, ninguém dorme tranquilo: Aryel sorri no ensaio, mas as condições de David ecoam como o próximo lance, deixando o tabuleiro tremendo, e todos – de Tadeu a Omar, de Wilson a Braga – com a pulga atrás da orelha, esperando o que vem depois do "e tudo mais".
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