
Adão Gomes
Construir no Amazonas virou sinônimo de sangrar o bolso. O estado agora ocupa a 5ª posição no ranking nacional de custos, com valores que chegam a R$ 3.421,61 por metro quadrado em padrão luxo – um número que não apenas assusta, mas que revela uma crise estrutural profunda e ignorada pelo mercado nacional.
E hoje (28/10/2025), a FGV Ibre jogou mais combustível na fogueira: o INCC-M subiu +0,21% em outubro, acumulando +6,58% em 12 meses – uma taxa 36% superior à inflação geral projetada (IPCA de 4,8%) e 46% acima do teto da meta oficial de inflação (4,5%).
Enquanto o Brasil discute inflação de materiais, o Amazonas enfrenta uma tempestade perfeita: logística brutal, escassez crítica de mão de obra qualificada, um choque salarial de 8% que explodiu em 2025, e agora a confirmação oficial de que os custos continuam em trajetória ascendente. Não é mais questão de "se" os custos vão subir – é questão de "quanto mais" vão subir.
A realidade dos números é devastadora:
Para contextualizar a dimensão do problema: construir uma residência de 165 m² em padrão luxo no Amazonas custa R$ 564.565,65 – quase R$ 100 mil a mais que em estados vizinhos.
A composição dos custos revela o caos:
Enquanto outros estados enfrentaram variação média de 3,98% no SINAPI em 2024, o Amazonas registrou artificialmente apenas 1,72% – uma calmaria enganosa que antecedeu o tsunami de 2025.
"Fazer orçamento por metro quadrado é destruir o mercado da construção civil."
Essa frase, extraída da análise técnica nacional, não é exagero – é um diagnóstico cirúrgico. No Amazonas, essa prática irresponsável se torna ainda mais perigosa porque:
O resultado? Obras abandonadas, construtoras falidas e clientes sem casa e sem dinheiro.
O Amazonas não é apenas geograficamente isolado – é logisticamente refém. A dependência da navegação fluvial transforma cada saco de cimento, cada barra de aço, cada acabamento em um item de luxo.
Dados críticos:
Não é à toa que o custo de materiais no Amazonas é um dos mais altos do país – cada parafuso viaja dias de barco antes de chegar à obra.
Se a logística é o inimigo visível, a escassez de mão de obra é a bomba-relógio invisível.
Em julho de 2025, o acordo coletivo entre Sinduscon-AM e SINTRACOMEC impôs um reajuste salarial de 8% – o maior desde 2022. O impacto foi imediato e brutal:
Mas por que 8%? Porque não há gente qualificada suficiente. É lei da oferta e demanda na forma mais crua.
O Amazonas precisa qualificar 25.000 trabalhadores até 2027 apenas para manter o ritmo atual e repor quem sai do mercado formal. Não é crescimento – é sobrevivência.
A conta não fecha:
A falsa estabilidade de 2024 (+1,72%) foi um engodo. Contratos que não monitoram especificamente a parcela de mão de obra do SINAPI/AM, com atenção crítica ao mês de julho (data-base sindical), estão assinando um cheque em branco para o fracasso.
NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA (28/10/2025): A Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) divulgou hoje o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) de outubro, e os números são devastadores:
Enquanto a inflação oficial (IPCA) projetada para 2025 está entre 4,8% a 5,05%, o INCC-M já acumulou 6,58% nos últimos 12 meses. Isso significa:
Para o Amazonas, isso não é estatística – é sentença de morte para margens de lucro.
Pode parecer pouco, mas quando contextualizado é devastador:
O INCC-M está descolado da realidade econômica do país:
No Amazonas, essa bomba ganha nitro:
No Amazonas, cada décimo de ponto do INCC-M representa:
O acumulado de 6,58% em 12 meses não é tendência – é realidade que já está nas obras. E está 46% acima da meta de inflação oficial do país (4,5%).
1. Margem de Contingência Obrigatória
2. Monitoramento Cirúrgico do SINAPI/AM
3. Rejeição Total ao Orçamento por m²
Não aceite orçamento genérico. Exija:
Construir no Amazonas em 2025 não é para amadores. É para quem:
A mensagem é clara: o Amazonas não perdoa improvisação.
O mercado de construção civil no Amazonas está em uma encruzilhada crítica. Os dados não deixam margem para dúvida:
Quem ignorar esses números não está sendo otimista – está sendo irresponsável.
O setor precisa de transparência, planejamento rigoroso e respeito pela complexidade regional. Qualquer coisa menos que isso é receita para o desastre.
O alerta está dado. A pergunta é: você vai escutar?
Análise baseada em dados do SINAPI/IBGE (março/2025), levantamento nacional de custos por padrão (outubro/2025), acordos sindicais Sinduscon-AM/SINTRACOMEC (julho/2025), INCC-M/FGV Ibre (publicado em 28/10/2025: +0,21% em outubro, +6,58% acumulado em 12 meses) e estudos de logística aquaviária na região amazônica.
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