Sexta, 19 de Junho de 2026
22°C 30°C
Manaus, AM
Publicidade

Brasil precisa reindustrializar, alerta professor da FGV

Paulo Gala, que participa do 9º Fórum de Manufatura, defende política industrial, inovação e formação técnica como pilares para o crescimento suste...

11/08/2025 às 21h56
Por: Adão Gomes Fonte: Agência Dino
Compartilhe:
 Carlos Renato Medeiros JS fotografia
Carlos Renato Medeiros JS fotografia

O Brasil permanece excessivamente dependente da exportação de commodities e distante das cadeias globais de maior valor agregado. Essa é a avaliação do economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Gala, que participa da programação do 9º Fórum de Manufatura, promovido pela Dialogia, em 18 e 19 de agosto, com a proposta de discutir caminhos para fortalecer o parque industrial brasileiro.

Para o especialista, a falta de uma base industrial sólida compromete a competitividade do país e limita a geração de empregos qualificados. “O problema surge quando a principal forma de ganhar dinheiro em um país é, eternamente, extrair recursos da terra. Nesse cenário, não há geração de conhecimento produtivo nem inovação”, afirma.

Gala alerta que o Brasil vem enfrentando um processo de reprimarização da economia, apostando cada vez mais em produtos primários e menos em bens industriais de maior valor agregado. “Perdemos complexidade produtiva, a produtividade caiu e a tendência é que esse quadro se agrave enquanto as manufaturas domésticas não forem recuperadas”, diz.

Segundo o professor, o país desperdiçou o impulso econômico provocado pelo boom das commodities e não avançou na sofisticação da indústria. “Em 2014, por exemplo, cinco produtos — ferro, soja, açúcar, petróleo e carnes — representaram quase 50% das exportações brasileiras. Enquanto isso, países asiáticos estruturaram políticas industriais estratégicas e avançaram em inovação”, compara.

A saída, segundo Gala, está em um esforço coordenado entre governo, setor produtivo e universidades, com foco em tecnologia, pesquisa e capacitação técnica. “Produzir bens complexos, como carros e equipamentos eletrônicos, exige aprendizado produtivo, que é social. Ninguém se torna médico sem residência — e ninguém aprende a fabricar aviões sem treinamento técnico e vivência industrial”, exemplifica.

Ele defende a criação de um ecossistema de inovação, com estímulo à pesquisa aplicada e incentivo à formação de profissionais especializados. “Sempre haverá riscos de má gestão ou captura do Estado, mas a omissão é muito mais prejudicial. Se não fizermos nada, o país continuará preso a uma economia de baixa complexidade, vulnerável a choques externos”.

Para Gala, investir na indústria é mais do que uma escolha econômica — é uma estratégia social. “Os setores industriais mais sofisticados são justamente os que mais geram empregos qualificados e ajudam a elevar a renda. Só com produtividade e inovação é possível garantir crescimento sustentado”.

O 9º Fórum de Manufatura será um espaço para aprofundar esse debate e discutir estratégias concretas para reposicionar o Brasil nas cadeias globais de valor. A programação vai abordar temas como política industrial, inovação, formação de talentos e o papel da manufatura na construção de um país mais competitivo e resiliente.

Para realizar as inscrições, basta acessar: https://forumdemanufatura.com.br/

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Manaus, AM
31°
Tempo limpo

Mín. 22° Máx. 30°

34° Sensação
1.49km/h Vento
56% Umidade
100% (2.72mm) Chance de chuva
07h03 Nascer do sol
18h59 Pôr do sol
Sáb 32° 23°
Dom 32° 23°
Seg 31° 24°
Ter 32° 23°
Qua 31° 23°
Atualizado às 12h01
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,14 -0,26%
Euro
R$ 5,89 -0,30%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 343,656,05 +0,25%
Ibovespa
168,128,23 pts -0.09%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade